Há um critério que permite perceber rapidamente se um negócio merece atenção: o número de quilómetros que o carro faz por ano. Em média, um carro deve somar entre 12 mil e 15 mil quilómetros anuais. Acima desta fasquia, o desgaste tende a ser superior ao desejável e a compra de um carro em segunda mão deixa de ser recomendada para quem procura fiabilidade e custos de manutenção controlados, segundo aponta o portal especializado em automóveis El Motor.
A quilometragem média anual é, por isso, o primeiro dado que muitos compradores analisam. Um carro que tenha rodado muito acima deste intervalo apresenta maior probabilidade de exigir intervenções dispendiosas a curto prazo, mesmo que o preço pareça mais apelativo. A partir de determinado ponto, a diferença entre o valor pedido por um carro em segunda mão e o custo futuro de manutenção pode transformar aquilo que parecia uma oportunidade num mau investimento.
Ainda assim, este não é o único indicador relevante. O estado geral, o tipo de utilização e o histórico de manutenção continuam a influenciar decisivamente a fiabilidade de um carro, mesmo quando os quilómetros anuais se mantêm dentro dos valores normalmente considerados aceitáveis.
Manutenção e histórico do carro em segunda mão
Apesar da importância da quilometragem anual, o histórico de manutenção pode pesar tanto ou mais do que o valor no conta-quilómetros. Há proprietários que guardam registos de todas as revisões, enquanto outros apenas procuram a oficina quando surge uma avaria. Quando dois carros semelhantes são comparados, um veículo bem cuidado pode ser melhor escolha do que outro com apenas menos 10 ou 20 mil quilómetros, refere a mesma fonte.
Registos de manutenção, faturas organizadas ou relatórios de histórico automóvel ajudam a perceber se o carro teve revisões regulares, acidentes anteriores ou substituições importantes. Esta informação pode revelar mais do que um número no painel.
Durante a avaliação, também vale a pena observar sinais de desgaste: óleo muito escuro, correias ressequidas, mangueiras envelhecidas ou líquido de refrigeração turvo indicam ausência de cuidados.
Quando poucos quilómetros podem levantar desconfianças
O extremo oposto, quilometragem demasiado baixa, também merece atenção. Há carros que passam largos períodos parados em garagem e acumulam poucos quilómetros ao longo dos anos. À primeira vista parecem oportunidades, mas de acordo com a mesma fonte, o desuso pode danificar componentes essenciais.
Elementos em borracha, juntas e retenções degradam-se com o tempo, mesmo sem uso. Quando o carro volta à estrada, podem surgir fugas e problemas de vedação decorrentes da falta de circulação de fluidos e das variações térmicas que ajudam a conservar estes materiais.
Por isso, um carro antigo com quilometragem anormalmente baixa pode necessitar de uma revisão profunda antes de ser considerado verdadeiramente fiável.
Quilómetros de estrada e quilómetros de cidade
O tipo de utilização é outro ponto decisivo. Quilómetros feitos maioritariamente em cidade, com arranques e travagens frequentes, trânsito lento, semáforos e piso irregular podem desgastar um carro a um ritmo superior, conforme refere a mesma fonte.
Já um veículo que circula sobretudo em autoestrada acumula quilómetros mais depressa, mas sofre menos desgaste mecânico. Por isso, um carro com mais quilómetros mas feito maioritariamente em estrada pode estar em melhor estado geral do que outro com menos quilómetros exclusivamente urbanos.
A idade e a fase natural de desgaste do carro em segunda mão
Tomando como referência a média anual de 12 mil a 15 mil quilómetros, um carro com cinco anos deverá ter entre 60 mil e 75 mil quilómetros, enquanto um veículo com dez anos deverá rondar 120 mil a 150 mil. Segundo o El Motor, é precisamente nesta fase, entre os 100 mil e os 120 mil quilómetros, que surgem com maior frequência reparações de maior dimensão.
Sistemas de refrigeração, correias de distribuição, suspensões e travões tendem a requerer intervenções mais profundas, aumentando a probabilidade de despesas regulares ao longo do ano. Quando um carro em segunda mão ultrapassa claramente estes valores e tem mais de dez anos, torna-se mais arriscado para quem procura fiabilidade duradoura.
















