No ano em que celebra o seu 60.º aniversário, a Associação Portuguesa de Museologia (APOM) escolheu o Algarve para a primeira apresentação dos Prémios APOM na região, tendo eleito a cidade de Loulé como palco da cerimónia. O evento decorreu esta segunda-feira, no Cineteatro Louletano, e reuniu dezenas de representantes de museus de todo o país.
Durante o dia, foram distinguidos museus de norte a sul de Portugal, com destaque para o Museu de Serralves, que arrecadou o galardão de Melhor Museu Português 2025. Já o Prémio Museólogo foi entregue a Fernando António Baptista Pereira, professor jubilado da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, cujo percurso inclui colaborações com instituições culturais do Algarve e de Loulé.

Segundo o Município de Loulé, “este foi um dia de afirmação do papel central dos museus enquanto espaços de memória, encontro e diálogo, fundamentais para debater as grandes questões da contemporaneidade”. A autarquia realça ainda que “os museus devem ser lugares seguros onde se promove a paz, a tolerância e o conhecimento dos outros”.
O Museu Municipal de Loulé foi distinguido com uma Menção Honrosa na categoria de Investigação e Difusão Científica, graças à publicação do primeiro número da série monográfica “Terra & Tempo”, com o título “Fogo e Morte. Sobre o extremo Sul no 3.º milénio a.n.e.”.
Esta obra revisita o legado da investigação “Megalitismo e Metalurgia no Alto Algarve Oriental”, de Victor Gonçalves, cuja primeira edição, lançada há 35 anos, continua a ser uma referência incontornável. Em 2019, o museu assinalou essa herança com uma sessão comemorativa e uma mostra fotográfica, das quais resultou o livro agora distinguido, com a colaboração de investigadores nacionais e internacionais.
Também em Loulé, a Santa Casa da Misericórdia foi distinguida com o Prémio Instituição, em reconhecimento pelo seu trabalho de valorização do património histórico e religioso do concelho. A distinção destaca em particular o Núcleo Museológico de Arte Sacra, integrado na Igreja da Misericórdia, que preserva e exibe um notável conjunto de bens culturais, datados do século XVI ao século XX. A coleção inclui pintura, escultura, ourivesaria, paramentaria e objetos processionais, sendo considerada um espólio de grande relevância para a história da arte sacra da região.
Para o Município de Loulé, estas distinções vêm reafirmar “o trabalho notável das equipas do Museu Municipal e dos seus polos na preservação e divulgação da memória local”, assim como “a importância da ação da Santa Casa da Misericórdia de Loulé na conservação de um património secular, de grande valor cultural e histórico”.
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