O Algarve e o restante sul do país dispõem atualmente de reservas de água que podem assegurar o abastecimento durante dois a três anos, ou seja, até 2028 ou 2029, segundo dados e declarações do presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). A informação surge após um período de chuvas persistentes que alterou de forma significativa o panorama hídrico nacional.
De acordo com a agência de notícias Lusa, José Pimenta Machado afirmou que as barragens estão “literalmente cheias” e que, do ponto de vista da quantidade disponível, o país atravessa um momento de estabilidade pouco comum nos últimos anos.
Reservas próximas do máximo
Segundo a mesma fonte, Portugal continental registava, na segunda-feira anterior, 12.610 hectómetros cúbicos de água armazenada, o equivalente a 95% da capacidade total. Os dados constam do boletim semanal das albufeiras divulgado pela APA.
A albufeira com menor volume era a do Arade, situada no rio que desagua em Portimão, ainda assim com 74% da capacidade. Escreve a agência noticiosa que o cenário global contrasta com os níveis registados em anos recentes, marcados por seca prolongada.
Sul acompanha tendência nacional
O presidente da APA sublinhou que o sul, tradicionalmente mais vulnerável à escassez, foi igualmente beneficiado pela sucessão de tempestades das últimas semanas. “Foi todo o país. Não me recordo de todas as bacias hidrográficas estarem cheias”, afirmou, conforme a mesma fonte. A precipitação atingiu o território de Bragança a Faro, criando uma situação que o responsável classificou como “verdadeiramente excecional”.
Um dos casos apontados foi o da barragem de Monte da Rocha, no concelho de Ourique. A infraestrutura esteve esta semana a realizar descargas de superfície por se encontrar “completamente cheia”. Refere a mesma fonte que, neste século, Monte da Rocha apenas tinha enchido em 2011. Em fevereiro de 2018 encontrava-se a 8% da capacidade, em 2021 atingiu 29,4%, no ano passado registava 14,5% e em 2024 situava-se nos 12,1%.
Algarve sai do vermelho
Também no Algarve o cenário mudou. “A mesma coisa de Campilhas, a mesma coisa das albufeiras do Algarve”, declarou José Pimenta Machado, recordando que em 2024 as barragens algarvias tinham reservas para apenas cinco meses.
De salientar que a barragem de Campilhas, em Santiago do Cacém, não ultrapassou os 40% na última década, tendo registado 4% em fevereiro de 2022. Já Santa Clara, no rio Mira, oscilou entre 66% e 33% nos últimos anos, encontrando-se agora cheia.
Números que contrastam com o passado recente
Na Bravura, no concelho de Lagos, o valor máximo em fevereiro na última década foi de 34,1% em 2022, tendo estado nos 12,5% há dois anos. Em Odeleite, em Castro Marim, a barragem não atingiu a capacidade máxima nos últimos 10 anos.
De acordo com a Lusa, este ano todas as albufeiras estão cheias, um cenário que o presidente da APA considera demonstrativo do caráter excecional do período recente, com os rios a regressarem aos leitos habituais.
Possível recorde nacional
José Pimenta Machado admitiu ainda a possibilidade de o país atingir um recorde de armazenamento no final de fevereiro. “Não tenho dúvidas de que em dois a três anos, do ponto de vista da quantidade da água, estamos completamente descansados. Temos as barragens literalmente cheias”, afirmou.
“Só não estamos a 100% porque estamos a libertar água”, acrescentou. O responsável reconheceu que a gestão deste período exigiu decisões complexas. “Do ponto de vista profissional nunca vivi um momento tão difícil”, assumiu, referindo também a necessidade de coordenação na bacia do Arade, onde foi preciso proceder a descargas durante vários dias consecutivos.
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