Portugal volta a destacar-se no panorama internacional das praias com qualidade reconhecida, mas a edição de 2026 da Bandeira Azul traz também sinais de alerta, incluindo a saída de uma praia emblemática do Algarve da lista de galardoadas. Apesar de o país manter uma posição relevante no ranking global, algumas zonas perderam distinções, refletindo alterações nas condições ambientais e no cumprimento de critérios exigidos pelo programa.
Entre os casos que marcam este ano está a saída da Praia dos Pescadores, em Albufeira, uma das mais frequentadas da região. Embora não seja garantido, a perda da Bandeira Azul pode também implicar a perda de banhistas na praia. De acordo com a agência de notícias Lusa, esta perda insere-se num conjunto de situações em que houve oscilações na qualidade ambiental ou falhas no cumprimento dos critérios definidos. Segundo a mesma fonte, a praia junta-se a outras zonas que deixaram de hastear a Bandeira Azul, como a praia do Cavadinho, em Braga.
Espaço central na dinâmica turística de Albufeira
A Praia dos Pescadores ocupa uma posição central na cidade, prolongando-se a partir da zona do Peneco e enquadrada por arribas e pelo casario que caracteriza a frente urbana. De acordo com o portal Visit Algarve, trata-se de uma praia com forte integração na malha urbana e elevada procura ao longo de todo o ano. Refere a mesma fonte que o acesso é feito diretamente a partir do centro, seja pelo Largo 25 de Abril ou por estruturas como escadas rolantes, o que facilita a circulação de visitantes.
Durante anos, esta zona manteve uma ligação direta à atividade piscatória local, com embarcações tradicionais visíveis no areal. Essa realidade alterou-se com a transferência dessas atividades para a marina de Albufeira. Atualmente, a envolvente da praia é marcada por uma forte presença de estabelecimentos de restauração e lazer, consolidando o seu perfil turístico.
Número de praias distinguidas sofre ligeira descida
No total, Portugal conta este ano com 438 praias, marinas e embarcações distinguidas com Bandeira Azul. De acordo com a Lusa, este número representa uma ligeira redução face ao ano anterior. Esta variação não é considerada alarmante pelas autoridades, sendo atribuída sobretudo a fatores conjunturais.
O presidente da Associação Bandeira Azul, José Archer, explicou que a diminuição está relacionada com o impacto das condições climatéricas na qualidade da água. Algumas zonas foram particularmente afetadas por estas variações. Estas mudanças influenciaram diretamente a atribuição do galardão, que depende de critérios ambientais e de gestão rigorosos.
Distribuição mantém expressão nacional significativa
Das distinções atribuídas, 396 dizem respeito a praias, das quais 350 são costeiras e 46 interiores, distribuídas por cerca de uma centena de concelhos. Este número mantém Portugal entre os países com maior presença no programa. Refere a mesma fonte que o país ocupa o quinto lugar mundial em praias costeiras galardoadas e o segundo nas praias interiores.
De salientar que o programa prepara-se para entrar numa nova fase a partir de 2027, com critérios mais exigentes e a introdução de auditorias externas. Segundo a mesma fonte, estas mudanças visam reforçar a credibilidade do processo de atribuição. Será ainda implementado um período extraordinário de candidaturas ainda durante o verão, permitindo uma adaptação progressiva às novas regras.
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