Há pequenos detalhes no exterior de uma casa que, à primeira vista, parecem inofensivos. Uma caixa de televisão junto ao caixote do lixo, um arbusto mais denso ou até um simples cartaz na entrada. Mas um novo estudo internacional mostra que esses elementos podem ser interpretados como convites para ladrões.
O trabalho foi desenvolvido por investigadores de várias instituições prestigiadas, incluindo a Universidade Carnegie Mellon (EUA), a Universidade Livre de Amesterdão (Países Baixos) e o Instituto Max Planck (Alemanha). A investigação foi publicada na revista científica Criminology.
Método inovador para estudar o comportamento dos criminosos
O que distingue este estudo de outros sobre criminalidade é a abordagem adotada. Em vez de tentar teorizar sobre o comportamento dos criminosos, os investigadores decidiram perguntar diretamente a quem cometeu os crimes. E fizeram-no de forma inovadora.
Ladrões experimentam realidade virtual para avaliar casas
De acordo com o AS, foram recrutados 160 reclusos condenados por furtos nos Estados Unidos, mais precisamente no estado da Pensilvânia. A estes participantes foi entregue um par de óculos de realidade virtual, com os quais puderam explorar um bairro simulado, baseado em zonas residenciais reais.
Avaliação de casas com características distintas
Neste cenário virtual, os ladrões tinham de avaliar diversas casas e escolher aquelas que consideravam alvos mais fáceis ou atrativos. Cada habitação apresentava características distintas, como caixas na rua, vegetação densa ou ausência de visibilidade direta.
O objectivo era perceber como os ladrões avaliam o risco e a recompensa antes de decidir agir. E os resultados desafiam várias ideias feitas sobre o que torna uma casa segura ou vulnerável.
Caixa vazia como indicador de bens valiosos
Um dos aspectos que mais despertou o interesse dos participantes foi a presença de uma caixa vazia de televisão ou de outro electrodoméstico novo junto ao lixo. Segundo os investigadores, esse detalhe transmite a ideia de que há bens recentes e valiosos dentro da casa.
Vegetação densa facilita a ação dos ladrões
Outro fator que pesou nas escolhas foi a existência de arbustos ou sebes densas à frente da habitação. Para muitos dos reclusos, estas plantas representam cobertura visual, dificultando a detecção de movimentos e facilitando a entrada sem ser visto.
Cartazes indicam possíveis riscos e recompensas
Os cartazes visíveis nas entradas também suscitaram reações. Um caso curioso foi o de uma placa que indicava que o proprietário possuía armas de fogo, algo comum nos EUA. Enquanto alguns inexperientes se sentiram intimidados, os mais habituados ao crime viram ali um possível acesso a armamento valioso.
Experiência influencia a tomada de decisão
A experiência dos ladrões revelou-se, aliás, um elemento decisivo nas escolhas. Os que tinham um historial mais longo de furtos mostraram-se mais propensos a correr riscos, desde que o potencial ganho compensasse.
Já os menos experientes adoptavam uma postura mais cautelosa, evitando casas com sinais de segurança visíveis ou barreiras físicas mais marcadas, como luzes automáticas ou câmaras.
Estas diferenças de comportamento reforçam a ideia de que nem todas as medidas de segurança são eficazes de igual forma. O que pode dissuadir um, pode atrair outro.
Segundo o AS, a conclusão principal do estudo é clara: o aspecto exterior de uma casa comunica mais do que se pensa. E em certos casos, pode funcionar como um anúncio involuntário a potenciais assaltantes.
Cuidar dos pequenos detalhes na fachada e arredores da casa pode fazer toda a diferença na prevenção de roubos e manter o lar mais seguro.
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