Uma cidade europeia com um centro histórico preservado está a enfrentar um problema invulgar. Todos os meses, dezenas de pedras da calçada desaparecem, levadas por turistas que as consideram lembranças.
O gesto, aparentemente inofensivo, tem causado prejuízos materiais e representa um risco para a segurança de quem circula nas zonas pedonais.
Património Mundial
A cidade em causa é Bruges, na Bélgica, cujo centro foi classificado como Património Mundial pela UNESCO no ano 2000. Segundo a NiT, entre 50 a 70 pedras são removidas mensalmente das ruas empedradas, afetando a estética do local e originando situações de perigo, sobretudo para idosos ou turistas desatentos.
Os serviços municipais são frequentemente chamados para intervir, com cada metro quadrado de calçada substituído a custar cerca de 200 euros.
Herança histórica em risco
O desaparecimento das pedras afeta diretamente a preservação de um traçado urbano com séculos de história.
As autoridades, segundo a mesma fonte, têm manifestado preocupação, sublinhando que este tipo de comportamento põe em causa a memória coletiva da cidade.
Franky Demon, conselheiro municipal, pediu respeito pelos elementos históricos: “Caminhar por estas ruas é atravessar séculos de história”, afirmou.
Num dos casos mais caricatos, um visitante retirou uma pedra e, no seu lugar, deixou um ramo de flor. Para a autarquia, longe de ser romântico, o gesto foi interpretado como um sinal de desrespeito.
Recomendamos: ‘Maldivas portuguesas’: espanhóis estão rendidos ao parque de campismo desta ilha paradisíaca no Algarve onde “quase não há carros”
Medidas contra o impacto do turismo
Com o crescimento do turismo, tal como refere a mesma fonte, o problema intensificou-se. Bruges é uma das cidades europeias mais visitadas e, para tentar equilibrar os efeitos dessa afluência, foi criada uma taxa turística de dois euros por noite para todos os visitantes com mais de doze anos que fiquem alojados localmente.
Além disso, a partir de janeiro de 2027, os turistas que visitam a cidade apenas durante o dia passarão a pagar uma taxa adicional de quatro euros, aplicada sobretudo a grupos organizados que chegam de autocarro ou em cruzeiros.
O objetivo é compensar os custos associados à manutenção e reforçar as equipas de fiscalização.
Preservar depende de todos
Campanhas de sensibilização têm sido lançadas pela câmara municipal com o intuito de informar os turistas sobre a importância patrimonial das pedras da calçada.
Cartazes, panfletos e mensagens nos pontos mais visitados lembram que estes elementos não são souvenirs, mas sim parte integrante da história viva da cidade.
“Não estamos contra os turistas, apenas pedimos respeito”, reforçou Franky Demon.
De acordo com a NiT, a autarquia apela ao bom senso de quem visita Bruges, lembrando que preservar o património vai além de medidas institucionais: começa com os gestos individuais de quem lá passa.
















