As regras que regulam a bagagem de mão nas companhias aéreas na União Europeia estão prestes a passar por uma alteração que pode surpreender muitos passageiros. Esta nova proposta pode mudar a forma como as malas são transportadas a bordo e afetar os custos associados às viagens.
O que muda para o passageiro
Segundo a Comissão Europeia, os passageiros terão direito a transportar gratuitamente dois tipos de bagagem: um saco pessoal até 40 × 30 × 15 centímetros e uma mala de mão que não exceda 7 kg e 100 cm lineares. Esta medida pretende garantir maior clareza e equidade para todos os viajantes.
De acordo com a mesma fonte, a decisão surge depois de longas negociações entre os Estados-membros e o Parlamento Europeu.
Inicialmente, os ministros dos Transportes tinham aprovado uma versão menos restritiva, permitindo que as companhias cobrassem pela mala maior colocada no compartimento superior da cabine.
Parlamento Europeu reforça regras
Contudo, o Parlamento Europeu foi mais longe, proibindo totalmente qualquer cobrança adicional pela bagagem de mão, conforme indicou no texto aprovado pelo órgão legislativo.
Matteo Ricci, vice-presidente da Comissão dos Transportes e do Turismo da União Europeia, sublinhou que esta votação representa “um passo importante para viagens mais justas e transparentes”.
Conforme referido pela mesma fonte, a nova legislação estabelece um “direito fundamental para evitar custos adicionais injustificados” e promove um sistema mais eficiente.
Reação das companhias aéreas
Porém, as companhias aéreas manifestaram-se contra esta medida. A associação Airlines for Europe (A4E), que representa várias empresas do setor, alertou que a proibição das taxas poderá resultar num aumento dos preços base dos bilhetes, limitando a liberdade de escolha dos passageiros.
Esta nova proibição baseia-se num acórdão do Tribunal de Justiça da União Europeia, datado de cerca de uma década, que já definia que a bagagem de mão não deveria estar sujeita a sobretaxas, desde que respeitasse limites razoáveis de peso e dimensões.
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Impacto esperado e próximos passos
Além disso, a legislação exige transparência total desde o momento da reserva, para que os passageiros não sejam surpreendidos com custos adicionais no momento do embarque, um problema recorrente no passado.
Embora o Parlamento Europeu já tenha aprovado a proposta em maioria, a decisão final ainda depende de um acordo entre o Parlamento, o Conselho e a Comissão Europeia para que a lei seja formalmente adotada.
Fica a dúvida sobre o impacto económico desta medida. A mesma fonte reconhece que ainda não é possível prever se os preços dos bilhetes vão aumentar e qual será a dimensão dessa subida.
As companhias aéreas, por seu lado, alertam que a eliminação das taxas poderá levar a uma redistribuição dos custos, que pode não ser vantajosa para os passageiros a longo prazo.
Para os consumidores, esta mudança representa um avanço nos direitos do passageiro, eliminando uma fonte frequente de insatisfação e incerteza durante as viagens.
O desenvolvimento desta legislação deverá ser acompanhado com atenção, pois terá um impacto significativo na forma como as viagens aéreas são comercializadas e nos direitos dos passageiros na União Europeia, conforme realçou a Comissão Europeia.
















