Durante muitos anos, o consumo de carne tem sido um tema central em debates sobre saúde, nutrição e bem-estar. Enquanto uns optam por opções mais leves, como o frango ou o peixe, outros preferem cortes tradicionais, como o lombo de vaca ou a costeleta de porco. Contudo, entre tantas possibilidades, existe uma escolha que se destaca por um motivo particular: uma carne com elevado teor de ferro.
O que é o ferro e qual a sua importância
O ferro é um mineral essencial ao funcionamento do corpo humano, fundamental para a produção da hemoglobina, a proteína responsável pelo transporte de oxigénio no sangue. A sua falta pode causar sintomas como cansaço intenso, falta de ar, tonturas e, em casos mais graves, anemia.
Segundo a TuaSaúde, o ferro presente nos alimentos divide-se em dois tipos principais: o ferro heme e o ferro não heme. O ferro heme, que se encontra em alimentos de origem animal, é absorvido com maior facilidade pelo organismo. Já o ferro não heme, proveniente de fontes vegetais, tem uma taxa de absorção mais baixa e depende da presença de outros nutrientes, como a vitamina C, para ser melhor aproveitado.
Por isso, é importante conhecer os alimentos com maior teor de ferro heme, sobretudo em idades mais avançadas, quando a capacidade de absorção e a produção de glóbulos vermelhos tendem a diminuir.
A carne com maior teor de ferro: o fígado
Entre as opções disponíveis no talho, o fígado sobressai claramente. Seja de vaca, porco ou frango, esta é a carne com maior concentração de ferro heme. Uma porção de 100 gramas de fígado de vaca pode conter entre 5,7 e 6,4 miligramas de ferro, variando consoante a forma de confecção.
Outras carnes
Em comparação, a mesma quantidade de carne magra de vaca tem cerca de 2,5 miligramas de ferro, enquanto o frango e o peixe apresentam valores ainda mais baixos. Isto significa que, no que respeita ao ferro, o fígado ultrapassa largamente os cortes mais comuns na dieta dos portugueses.
Este elevado teor torna o fígado uma escolha frequente em dietas destinadas a combater a deficiência de ferro. Além disso, é uma carne acessível e fácil de encontrar.
Outros nutrientes do fígado
O fígado não é apenas uma fonte rica em ferro. Destaca-se também pela elevada densidade nutricional, contendo quantidades significativas de vitamina A, vitamina B12, ácido fólico e zinco. Estes nutrientes são essenciais para a saúde da visão, do sistema nervoso, da pele e do sistema imunitário.
A vitamina B12, conforme refere a TuaSaúde, é fundamental para a formação dos glóbulos vermelhos e para a manutenção das funções neurológicas. O ácido fólico é importante para a regeneração celular e o bom funcionamento do cérebro. Já o zinco desempenha um papel essencial na cicatrização e na defesa do organismo contra infeções.
No entanto, devido ao seu elevado teor em vitamina A, o consumo de fígado deve ser moderado, sobretudo durante a gravidez, já que o excesso desta vitamina pode provocar efeitos indesejados.
O consumo ao longo da vida
À medida que envelhecemos, as necessidades nutricionais alteram-se. O organismo perde massa muscular com maior facilidade, o metabolismo desacelera e a capacidade de absorção de certos minerais pode diminuir. Nesta fase, manter uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes torna-se ainda mais crucial.
A carne rica em ferro continua a desempenhar um papel importante, já que a anemia é uma condição frequente em adultos com mais de 60 anos. A inclusão regular de alimentos com ferro heme ajuda a manter níveis adequados, prevenindo sintomas como fadiga persistente ou perda de resistência física.
Impacto na saúde
Por outro lado, de acordo com a TuaSaúde é essencial considerar a saúde cardiovascular e a função do fígado. Assim, apesar de ser rica em nutrientes, a ingestão de fígado deve ser equilibrada e ajustada às condições de saúde individuais.
É sempre aconselhável o acompanhamento médico e nutricional quando se pretende adaptar a alimentação a necessidades específicas. Exames ao sangue podem revelar carências que passam despercebidas no dia a dia, mas que comprometem o bem-estar geral.
Curiosidades e tradições
O fígado foi durante muito tempo presença constante na mesa dos portugueses, sobretudo numa época em que se aproveitava o animal por inteiro. Era frequentemente frito com cebola, servido com arroz ou integrado em pratos mais elaborados. Com o passar do tempo, perdeu algum do seu destaque, talvez devido ao sabor intenso ou à textura, que nem todos apreciam.
Atualmente, o fígado mantém-se presente na gastronomia tradicional de várias regiões, com receitas que continuam a ser transmitidas entre gerações. Algumas famílias mantêm o hábito de consumir fígado pelo menos uma vez por semana.
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