Um homem foi expulso de uma praia em depois de ter colocado uma toalha na areia enquanto o filho nadava. O caso gerou polémica por envolver uma criança com deficiência e por expor uma lei local pouco conhecida entre turistas e visitantes ocasionais.
De acordo com a Executive Digest, a praia em questão fica em Rimini, Itália, e está sujeita a uma nova legislação costeira que entrou em vigor este ano. Esta regra determina que os primeiros 20 metros da faixa costeira devem manter-se livres para circulação, estando proibida a colocação de toalhas, guarda-sóis, espreguiçadeiras ou outros bens pessoais nesta zona.
Regra visa manter espaço livre junto à água
A medida foi implementada com o objetivo de garantir que a zona junto à água se mantém acessível para todos os banhistas e para operações de segurança. No entanto, segundo a mesma fonte, os responsáveis pela gestão das praias estão a aplicar a norma com grande rigidez, mesmo em situações particulares.
O cidadão envolvido, Roberto Fabio Prestigiacomo, contou ao Corriere di Bologna que se encontrava com o filho, que tem uma deficiência ligeira reconhecida pela Lei 104 italiana. Explicou que não pretendia reservar lugar na praia, mas apenas guardar temporariamente os pertences enquanto o filho dava um mergulho.
Roberto referiu que o filho não consegue permanecer quieto durante muito tempo, pelo que optam por caminhar ao longo da praia e parar junto à água por curtos períodos. “Costumamos caminhar e parar na área da praia, perto da água, onde guardo as minhas coisas por alguns minutos enquanto ele nada”, afirmou à mesma fonte.
Trabalhador da praia pediu que se retirassem
Segundo a mesma fonte, foi pouco depois de estenderem as toalhas que um funcionário da praia os abordou. O trabalhador disse-lhes que não podiam permanecer naquele local e exigiu a sua saída, o que acabou por gerar desconforto.
O pai afirmou que o episódio não foi isolado. Segundo contou ao Corriere di Bologna, situações semelhantes já tinham ocorrido noutras ocasiões durante a semana, mas desta vez o tom do aviso foi especialmente desagradável.
“Não fazia sentido reservar lugares ou espreguiçadeiras, porque estávamos sozinhos e em constante movimento”, explicou ainda Roberto, sublinhando que o objetivo era apenas permitir ao filho nadar por uns momentos.
Recomendamos: ‘Maldivas portuguesas’: espanhóis estão rendidos ao parque de campismo desta ilha paradisíaca no Algarve onde “quase não há carros”
Falta de praias gratuitas complica acessos
Ainda segundo a mesma fonte, Roberto referiu que nem sempre têm a possibilidade de frequentar praias públicas. Em Rimini, a maioria das zonas balneares está concessionada e há poucas áreas gratuitas, que por sua vez ficam mais distantes e de acesso menos prático.
A situação levantou questões sobre a forma como estas regras devem ser aplicadas, especialmente em casos que envolvem pessoas com necessidades específicas ou circunstâncias familiares particulares.
Segundo a mesma fonte, a lei costeira tem sido motivo de debate, sobretudo por não prever excepções claras ou mecanismos de avaliação caso a caso. A sua aplicação, na prática, tem ficado ao critério dos trabalhadores que gerem os espaços balneares.
Regras mais apertadas nas praias italianas
A legislação costeira que motivou a expulsão de Roberto e do filho é apenas uma entre várias que têm sido adoptadas em diversas regiões costeiras italianas. Segundo a Executive Digest, estas medidas procuram ordenar o uso do espaço balnear, mas têm gerado críticas pela sua rigidez.
Vários meios de comunicação em Itália têm relatado episódios semelhantes, onde turistas e locais se veem confrontados com sanções por colocarem objectos na areia, mesmo que por curtos períodos. Em muitos casos, os próprios visitantes não estão informados sobre as regras em vigor.
O episódio em Rimini mostra as consequências desta abordagem, quando aplicada de forma inflexível a situações delicadas. Ainda segundo a mesma fonte, não há indicação de que Roberto tenha resistido ou violado deliberadamente a regra.
De acordo com a Executive Digest, o caso continua a ser discutido localmente, com alguns residentes e visitantes a questionarem a proporcionalidade da resposta. Até ao momento, as autoridades locais não emitiram qualquer comunicado oficial sobre o incidente.
















