As Ilhas Canárias estão a viver uma crescente contestação popular contra o turismo em massa. A previsão de 18 milhões de visitantes em 2025 está a gerar tensões entre a população local, sobretudo em Lanzarote e Tenerife, onde já ocorreram protestos organizados por residentes preocupados com os impactos económicos, ambientais e sociais da atividade turística, dizendo que estas ilhas “já não são um paraíso”, segundo o Birmingham Mail.
De acordo com o jornal The Guardian, só em Tenerife o turismo representa 35% da economia e atrai, maioritariamente, visitantes britânicos. No entanto, é precisamente este fluxo constante de turistas que começa agora a ser visto por muitos como uma ameaça à identidade local.
“O problema não são os imigrantes, são os turistas”, cita o jornal, refletindo o sentimento de parte da população. Um dos manifestantes afirmou: “As pessoas não conseguem aceder a habitação”, apontando responsabilidades a políticos “corruptos” que “não protegem o ambiente”.
Outro residente acrescentou: “As Canárias já não são um paraíso. A nossa costa está destruída. Não podemos ter 18 milhões de turistas”.
“O turismo mata a cidade”
As manifestações não se limitaram às ilhas, refere a mesma fonte. Em Barcelona, centenas de pessoas marcharam pelo centro da cidade, com faixas que diziam “O turismo de massas mata a cidade” e “As vossas férias, a minha miséria”.
Durante o protesto, foram disparados pistolas de água, lançados fumos coloridos e colados autocolantes com mensagens como “Defesa dos bairros. Turistas vão para casa” em vitrinas de lojas e hotéis.
A indignação popular não visa apenas os turistas, mas sobretudo os responsáveis por transformar estas cidades em destinos turísticos intensivos, sem salvaguardas para os residentes.
A crítica à especulação e à turistificação
Asier Basurto, membro da plataforma “degrowth turístico”, que organizou uma marcha em San Sebastián, sublinhou, citado pelo Birmingham Mail, que os manifestantes não têm os turistas como alvo principal. “As pessoas que vão de férias para um lado ou para o outro não são nossos inimigos”, afirmou.
“Deixemos isto claro: os nossos inimigos são aqueles que especulam com a habitação, que exploram os trabalhadores e que lucram descaradamente com a turistificação das nossas cidades”, concluiu.
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