É um hábito enraizado em muitas cozinhas portuguesas: comprar azeite e guardá‑lo na despensa, longe da vista e à mão de semear. O problema é que esse local, tão comum quanto prático, pode não ser o mais indicado para conservar um dos produtos mais valiosos da dieta mediterrânica.
A alerta surge num artigo da Executive Digest, que cita o médico internista Alexandre Olmos. De acordo com o especialista, a despensa raramente oferece as condições ideais para a conservação do azeite virgem extra, sobretudo por causa da temperatura e da presença de luz, fatores que aceleram a degradação do produto.
Efeito da luz e do ar
O azeite oxida com facilidade quando está exposto à luz ou em contacto prolongado com o oxigénio. Esse processo não só altera o sabor como reduz a concentração de antioxidantes naturais, responsáveis por boa parte dos seus benefícios para a saúde.
O impacto é particularmente evidente nos azeites de colheita precoce. Mais verdes e intensos, tanto no aroma como no paladar, são também mais sensíveis às condições de armazenamento. Quando mal conservados, perdem rapidamente as características que os distinguem.
A embalagem também conta
Neste processo, a embalagem desempenha um papel decisivo. Garrafas transparentes deixam passar a luz e aceleram o desgaste do azeite, ao contrário das garrafas escuras, que oferecem maior proteção. Olmos aponta ainda a dimensão das embalagens como um fator a ter em conta: quanto maior a garrafa, mais tempo o azeite permanece em contacto com o ar depois de aberto.
Para quem consome azeite de forma moderada, optar por garrafas mais pequenas pode ajudar a preservar melhor a qualidade do produto ao longo do tempo.
Onde faz sentido guardar o azeite
Segundo o especialista, o azeite deve ser mantido num local fresco e protegido da luz. O frigorífico surge como uma alternativa possível, ainda que menos consensual. A baixas temperaturas, o azeite solidifica, mas esse processo não implica perda de qualidade.
Quando necessário, basta aquecer ligeiramente a garrafa em banho‑maria para que o azeite regresse ao estado líquido, mantendo intactas as suas propriedades.
Uso na cozinha também faz diferença
Para além do armazenamento, Alexandre Olmos chama a atenção para a forma como o azeite virgem extra é utilizado. Com um ponto de fumo relativamente baixo, não é a escolha mais indicada para frituras prolongadas, onde acaba por perder sabor e valor nutricional.
O uso em cru ou em preparações ligeiramente aquecidas continua a ser a forma mais eficaz de tirar partido das qualidades que tornam o azeite virgem extra um produto tão valorizado.
A Executive Digest sublinha que, apesar de ser uma prática comum, guardar o azeite na despensa continua a figurar entre os comportamentos mais frequentemente desaconselhados pelos especialistas quando o objetivo é preservar a qualidade de um ingrediente central da cozinha portuguesa.
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