A norte de Itália, entre Milão e Veneza, encontra-se uma cidade frequentemente associada a uma das histórias de amor mais conhecidas da literatura europeia. Verona, atravessada pelo rio Ádige e rodeada por colinas suaves, guarda um património arquitetónico e cultural que ultrapassa a ficção de Shakespeare. Para lá das varandas e das cartas dos amantes, a cidade exibe um passado romano preservado em pedra, incluindo uma arena que antecede o Coliseu de Roma.
Verona foi classificada como Património Mundial pela UNESCO, devido à sua estrutura urbana e arquitetura que refletem mais de dois milénios de história. O centro histórico combina elementos de diversas épocas, desde o domínio romano à era veneziana, passando pela ocupação medieval e renascentista. A cidade é organizada em torno de praças animadas, como a Piazza delle Erbe, onde as construções revelam traços das antigas domus romanas, palácios medievais e fachadas barrocas.
Uma Arena que antecede o Coliseu
A Arena de Verona é uma das imagens mais emblemáticas da cidade. Segundo o site oficial do turismo de Verona, este anfiteatro romano foi construído no ano 30 d.C., cerca de cinquenta anos antes do início da construção do Coliseu de Roma. Ainda hoje acolhe concertos e espetáculos de ópera, mantendo a sua função original de entretenimento público. Com capacidade para mais de 15 mil pessoas, é considerada uma das arenas romanas mais bem conservadas da Europa.
Romeu, Julieta e a casa que atrai milhões
A ligação de Verona à tragédia de Romeu e Julieta tornou-se um dos principais motores turísticos da cidade. A chamada “Casa de Julieta”, identificada por uma varanda gótica e uma estátua da personagem, recebe anualmente milhares de visitantes.
Conforme explica o site Visit Verona, não há provas históricas de que Julieta tenha existido ou habitado naquele edifício, mas a tradição literária transformou o local num ponto de peregrinação romântica.
Praças, igrejas e pontes que cruzam séculos
Para além dos locais mais conhecidos, Verona possui um conjunto significativo de igrejas românicas e góticas, como San Zeno Maggiore e a Catedral de Verona, que testemunham a evolução religiosa e artística da região.
As pontes que atravessam o Ádige, como a Ponte Pietra, foram reconstruídas após a Segunda Guerra Mundial com as pedras originais recuperadas do rio, escreve o jornal La Repubblica.
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Murais, mercados e vestígios medievais
Nas ruas de Verona é possível observar vestígios de antigas muralhas, torres e castelos. A fortaleza Castelvecchio, construída no século XIV, alberga hoje um museu com obras de arte e objetos históricos. Segundo a mesma fonte, o edifício foi alvo de restauros que mantiveram a sua estrutura original em tijolo e os elementos defensivos típicos da arquitetura militar scaligera.
Verona contemporânea e gastronomia local
A cidade mantém-se viva também nas suas expressões culturais atuais. O Festival de Ópera da Arena, realizado todos os verões, atrai artistas e visitantes de todo o mundo.
Paralelamente, a gastronomia local oferece pratos típicos como o risotto all’Amarone e o bollito misto, acompanhados pelos vinhos da região, entre eles o Valpolicella e o Soave, conforme indica a associação Vinitaly.
Ligação ferroviária e acesso facilitado
Verona está ligada por comboio às principais cidades italianas, com partidas frequentes para Milão, Veneza, Florença e Roma.
O aeroporto local recebe voos nacionais e internacionais, facilitando o acesso a turistas de diferentes origens. A cidade é muitas vezes escolhida como ponto de paragem para quem visita o Lago di Garda ou segue em direção aos Alpes italianos.
Entre o mito e a preservação do real
Embora a ficção tenha dado fama mundial à cidade, é o seu património material que mais impressiona. A conjugação entre o passado romano, a herança medieval e a reinvenção cultural torna Verona um destino com múltiplas camadas, que se revelam à medida que se percorrem as suas ruas. De acordo com a UNESCO, este equilíbrio entre conservação e dinamismo justifica a sua presença entre os sítios patrimoniais mais relevantes da Europa.
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