Uma pequena cidade com apenas 67 habitantes guarda, ainda hoje, um teatro da época romana, com capacidade para mais de 9.000 espectadores. Escondido numa zona interior do território, este espaço monumental surpreende pela sua dimensão e pelo estado de conservação, revelando a mestria técnica e arquitectónica do Império Romano.
Esta localidade, situada em Burgos, na região de Castela e Leão, Espanha, conta atualmente com apenas 67 habitantes. Apesar da sua pequena dimensão populacional, o local destaca-se pela importância histórica que carrega desde a época romana.
No seu território encontra-se um dos maiores teatros romanos da Península Ibérica, com capacidade para mais de 9.000 espectadores. Este monumento revela a habilidade técnica e arquitectónica dos engenheiros romanos e mantém um estado de conservação notável, surpreendendo quem o visita.
Um espaço para mais do que teatro
Segundo a mesma fonte, o edifício não servia apenas para espectáculos e apresentações. Era também um importante ponto de encontro político e social, onde os cidadãos da antiga urbe se reuniam para debater temas públicos, tomar decisões colectivas e participar na vida cívica da cidade.
O palco possuía dois andares, ricamente decorados com colunas de ordem coríntia e esculturas mitológicas, como a da deusa Fortuna, símbolo de prosperidade e protecção.
Estes elementos arquitectónicos e artísticos demonstram o prestígio da cidade que ali existia e a importância simbólica que os romanos atribuíam à cultura.
Clúnia Sulpícia: um nome com história
De acordo com o HuffPost, o teatro integrava a cidade romana de Clúnia Sulpícia, um dos centros urbanos mais relevantes da Hispânia romana. Situada no chamado Alto de Castro, a cidade foi palco de momentos decisivos na história do império.
Foi ali que, no ano 68 d.C., Sérvio Sulpício Galba, então governador da Hispânia Tarraconense, recebeu a notícia da morte do imperador Nero. Com o apoio da VII Legião Gemina, Galba iniciou a sua marcha para Roma a partir de Clúnia, acabando por ser proclamado imperador. Em sua homenagem, a cidade passou a usar o seu nome: Clúnia Sulpícia.
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Sítio arqueológico de elevado valor
Além do teatro, segundo a mesma fonte, o sítio arqueológico conserva estruturas do fórum, um espaço central da cidade, onde ocorriam debates, transacções comerciais e cerimónias religiosas. O local possui também várias habitações com mosaicos de grande valor artístico, o que indica o nível cultural e económico das elites locais.
As escavações revelaram ainda a existência de necrópoles nos arredores da cidade, com túmulos e vestígios que fornecem informações sobre os rituais funerários romanos. Estes elementos ajudam a reconstruir o quotidiano da população e a compreender os hábitos e tradições daquela época.
O HuffPost refere que o teatro de Clúnia é actualmente um dos maiores da Península Ibérica e um dos mais bem preservados do antigo território da Hispânia. Apesar de se encontrar longe dos grandes centros urbanos e num município quase despovoado, atrai arqueólogos, estudiosos e visitantes interessados na herança romana.
Uma herança para o presente
O teatro e os restantes vestígios arqueológicos têm vindo a ser alvo de trabalhos de conservação, e o acesso ao local está hoje integrado num percurso cultural que permite aos visitantes explorar a história romana na região. Conforme destacou o HuffPost, esta zona é um verdadeiro museu ao ar livre, com estruturas que testemunham a organização urbana, a engenharia e a vida social da época.
A presença de mosaicos de grande detalhe, colunas bem conservadas e fragmentos de esculturas continua a surpreender os especialistas. Estes elementos servem de base para estudos sobre arquitectura, arte e engenharia romana na Península Ibérica.
Apesar do seu isolamento geográfico e da escassa população actual, a aldeia onde se localiza Clúnia Sulpícia tornou-se um ponto de referência para o estudo da presença romana em Espanha, como referiu o HuffPost, o valor do seu património demonstra que nem sempre os grandes legados se encontram em grandes cidades.
Segundo a mesma fonte, o sítio arqueológico continua a ser estudado e novas descobertas ocorrem com frequência, reforçando a relevância histórica deste local. A sua preservação é essencial para garantir que gerações futuras possam continuar a aprender com este impressionante testemunho do passado.
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