No auge do verão, as idas à praia multiplicam-se e o mar torna-se um convite difícil de recusar. Entre mergulhos e longos banhos de sol, há quem leve um susto ao sentir algo gelatinoso a roçar-lhe os tornozelos. Apesar do aspeto estranho, nem sempre se trata de uma medusa pronta a estragar a tarde: muitas vezes são salpas, uma criatura marinha transparente que regressa ciclicamente às nossas águas e que, em 2025, voltou a marcar presença.
Com corpo cilíndrico que varia de poucos milímetros até cerca de 10 centímetros, as salpas são tão frágeis que se desfazem com um simples toque, o que leva muitos banhistas a confundi-las com pedaços de plástico. A razão para a sua chegada em massa às praias espanholas está na abundância de fitoplâncton, o seu alimento principal, que floresceu com força neste verão, segundo o jornal espanhol La Razon.
O que são e como vivem
As salpas são tunicados, invertebrados marinhos protegidos por uma fina “túnica” que lhes dá nome. Movem-se como um pequeno motor hidráulico: aspiram água por um sifão, expelindo-a por outro, filtrando pelo caminho o fitoplâncton de que se alimentam. Quando este se multiplica, elas formam colónias impressionantes, alinhadas em longas cadeias que flutuam à superfície.
Perigo para quem está na água?
Risco zero. Ao contrário das medusas, esta criatura marinha não possui tentáculos urticantes nem liberta toxinas. Pelo contrário, as salpas são extremamente delicadas e acabam por se desintegrar ao toque, sendo os humanos quem inadvertidamente as pode danificar ao pisá-las, refere a mesma fonte.
À primeira vista parecem pequenos barquinhos de vidro, com dois orifícios nas extremidades. Não têm forma de campânula nem filamentos. Muitas exibem tons acastanhados ou esverdeados no interior, sinal de que estão a alimentar-se. Costumam agrupar-se como contas de um colar, formando correntes com vários metros.
Como agir ao encontrá-las
O adequado, de acordo com a mesma fonte, é observar sem tocar. Evite pisá-las e não tente devolvê-las ao mar, uma vez que a maré trata disso naturalmente. No caso de crianças, é importante explicar que não picam e que são diferentes das medusas, para evitar alarmes desnecessários.
Um papel essencial no ecossistema
As salpas são verdadeiras “máquinas de limpeza” do mar. Regulam a presença de fitoplâncton e ajudam a prevenir a falta de oxigénio causada pela proliferação excessiva destas microalgas. Além disso, transformam o carbono ingerido em partículas pesadas que afundam, num processo conhecido como “chuva de carbono”, que contribui para reduzir o CO₂ na atmosfera, de acordo com o La Razon.
Servem ainda de alimento a diversas espécies de peixes, aves marinhas e invertebrados, mantendo o equilíbrio da cadeia alimentar.
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