Está presente em praticamente todas as cozinhas, embora poucos lhe dediquem atenção. Pequeno, escuro e com um sabor intenso, esta especiaria é utilizada em inúmeros pratos do dia a dia, e a sua ausência pode ser mais notada do que se imagina.
De saladas simples a carnes mais elaboradas, passando por receitas de peixe ou massas, o uso da pimenta tornou-se habitual em várias culturas gastronómicas. A sua presença não só realça o sabor dos alimentos como lhes confere um toque característico.
Sinais de alerta no mercado internacional
Nos últimos tempos, surgiram indícios de que a disponibilidade desta especiaria poderá sofrer alterações. Especialistas e empresas do setor alimentício começaram a notar sinais de escassez nas cadeias de abastecimento globais.
A quebra na produção da pimenta está a ser sentida sobretudo em países asiáticos como o Vietname, a Indonésia e o Sri Lanka. Estes territórios tropicais, onde o clima costuma favorecer o cultivo, têm registado condições menos favoráveis para as plantações.
Menor produção, preços em alta
Segundo Ian Hemphill, diretor-geral da Herbie’s Spices, sediada na Austrália, a quebra produtiva terá um efeito imediato no mercado. “O preço vai subir, é uma consequência direta da redução da oferta”, alertou em declarações à comunicação social.
Vietname em destaque na exportação
O Vietname, líder mundial na exportação deste produto, tem sido o principal foco de atenção. Dados do Observatório de Complexidade Económica (OEC) revelam que, em 2021, o país produziu 288.167 toneladas desta especiaria.
Impacto no comércio internacional
Este número corresponde a mais de um terço da produção mundial de pimenta. Em 2023, o produto ocupava a 536.ª posição entre os mais comercializados globalmente, representando 0,022% do total do comércio internacional.
A subida de preços já é uma realidade
De acordo com o portal ‘9Kitchen’, o preço da pimenta no Vietname ronda agora os seis dólares por quilo. Este aumento pode refletir-se muito em breve nas prateleiras de supermercados em várias partes do mundo, incluindo Portugal.
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Restauração e indústria sentem o impacto
Restaurantes e empresas alimentares estão entre os mais afetados. Para além de pagarem mais pela matéria-prima, enfrentam dificuldades em encontrar quantidades suficientes para manter a produção habitual.
Limites de compra em algumas superfícies
De acordo com a mesma fonte, em alguns países, há já cadeias de supermercados que começaram a limitar a compra de pimenta por cliente. A medida visa evitar o esgotamento dos stocks enquanto não houver reposição adequada.
O valor simbólico da especiaria
Apesar de representar uma pequena parcela do comércio global, a pimenta é considerada essencial por milhões de cozinheiros e chefs. A sua importância vai muito além do valor financeiro que representa.
Perante a incerteza, e segundo o AS, vários especialistas recomendam diversificar as origens do produto e apostar em novas áreas de cultivo. Contudo, alertam que estas mudanças não são imediatas e exigem investimento a longo prazo.
A escassez pode prolongar-se
Não há previsão concreta para o regresso à normalidade nos níveis de produção. Com as alterações climáticas a afetar colheitas e a instabilidade nos mercados agrícolas, o problema poderá manter-se por mais tempo.
Em casa, torna-se recomendável uma utilização mais criteriosa desta especiaria, tendo em conta o cenário de escassez global. O uso de pimenta, que muitas vezes resulta de um hábito, poderá exigir maior ponderação face à incerteza no abastecimento.
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