Desde que o primeiro computador pessoal chegou às casas nos anos 80, o progresso não abrandou. Passámos de máquinas imponentes e lentas para dispositivos ultracompactos e multifuncionais, capazes de responder a praticamente todas as necessidades do quotidiano. A evolução tecnológica trouxe-nos portáteis cada vez mais finos, tablets híbridos, e até dispositivos dobráveis. No entanto, há algo que se manteve intocável ao longo das décadas: o ecrã.
Os portáteis tornaram-se ferramentas indispensáveis para profissionais em mobilidade. Modelos como o MacBook da Apple ou o Surface da Microsoft definiram o padrão da produtividade portátil, combinando design minimalista com desempenho de topo. Ambos representam o culminar de anos de aperfeiçoamento tecnológico, onde a portabilidade e a eficiência convergem num formato quase universal.
E, justamente por isso, a tentativa de substituição desses formatos consagrados levanta interrogações. De acordo com a publicação Yanko Design, iniciativas como o Vision Pro da Apple tentaram alterar esta fórmula, apostando em experiências imersivas que dispensam o computador tradicional. No entanto, o preço elevado e a proposta disruptiva afastaram os utilizadores mais conservadores.
A aposta em realidades mistas, como a realidade aumentada (AR) e virtual (VR), não é nova, mas tem enfrentado resistência. Os headsets mais populares, como os da Meta ou os HoloLens da Microsoft, ainda são vistos como acessórios de entretenimento, não como substitutos sérios de computadores profissionais.
Uma ponte entre o tradicional e o imersivo
Neste contexto, surge um novo dispositivo que procura não romper com o passado, mas integrá-lo de forma inovadora. Trata-se de um portátil que prescinde totalmente do ecrã físico, apostando numa fusão entre estrutura convencional e tecnologia de realidade aumentada.
O que distingue esta proposta é a sua aparência familiar. Em vez de reinventar a roda, mantém o teclado e o trackpad, dois dos elementos mais valorizados pelos utilizadores de MacBook e Surface. A diferença? O ecrã foi substituído por um par de óculos AR, que, ao serem colocados, projetam um ambiente de trabalho com uma diagonal virtual de 100 polegadas.
Este dispositivo, desenvolvido pela empresa Sightful, chama-se Spacetop G1 e foi concebido com o intuito de preencher a lacuna entre os laptops convencionais e as promessas ainda por cumprir dos headsets de VR. Segundo a mesma fonte, o objetivo não é competir com os computadores atuais, mas criar uma nova categoria intermédia, onde a produtividade se cruza com a imersão digital.
Ecrãs invisíveis, espaço ilimitado
A leveza dos óculos e a sua integração numa estrutura fina e dobrável tornam o Spacetop G1 mais prático que modelos como o Vision Pro. Os óculos AR não bloqueiam totalmente o ambiente à volta, permitindo um uso mais natural em espaços públicos como comboios ou cafés.
Escreve o site Yanko Design que a experiência de utilização permite dispor várias janelas em simultâneo num único espaço de trabalho virtual, otimizando tarefas como edição de vídeo, trabalho em documentos ou gestão de emails. A vantagem está na possibilidade de dispor conteúdos de forma intuitiva, colocando elementos em destaque ou em plano secundário consoante a prioridade do momento.
Um interior à altura do conceito
No interior, o Spacetop G1 é alimentado por um chipset da Qualcomm, que oferece uma melhoria de 70% face ao modelo anterior, e inclui uma bateria com autonomia para até 7 horas de trabalho. A taxa de atualização de 90 Hz contribui para uma visualização fluida, adequada a tarefas intensivas. Comparativamente a um MacBook Pro ou a um Surface Laptop, o Spacetop G1 oferece menos limitações em termos de espaço de trabalho.
Design discreto, impacto máximo
O formato do Spacetop G1 permite encaixá-lo facilmente numa mochila. O teclado e o trackpad têm espessura semelhante à dos portáteis convencionais. A “tampa” integra os óculos dobráveis, que se acomodam com elegância e discrição.
Esta abordagem visa reduzir o constrangimento social causado por headsets mais volumosos. O utilizador mantém contacto visual com o ambiente e com os outros, o que se traduz num uso mais confortável e menos invasivo.
Multitarefas repensadas em 100 polegadas
A presença de um espaço de trabalho virtual de 100 polegadas permite reorganizar o conceito de multitarefa. Tarefas principais podem ocupar o centro do campo de visão, enquanto janelas menos prioritárias são colocadas nas margens.
Explica o site Yanko Design que este tipo de organização favorece a concentração, eliminando distrações causadas pela limitação de ecrãs físicos. O ambiente de trabalho adapta-se ao ritmo do utilizador.
Uma nova categoria prestes a chegar ao mercado
Apesar de ser cedo para saber se o Spacetop G1 marcará o início de uma nova era ou será apenas uma curiosidade tecnológica, o certo é que representa uma mudança de paradigma.
O futuro dos computadores pessoais poderá passar, não por mais ecrãs, mas por ecrãs invisíveis.
















