A queda de cabelo pode ter várias causas e nem sempre está ligada ao que se come. A genética continua a ser um dos fatores mais importantes na calvície androgenética, mas défices nutricionais, stress, alterações hormonais, perda rápida de peso, doença ou alguns medicamentos também podem contribuir para uma perda mais acentuada.
É neste contexto que alguns alimentos têm sido estudados pelo possível impacto na saúde capilar. Entre eles estão os brócolos e, sobretudo, os rebentos de brócolos ricos em sulforafano, um composto que tem despertado interesse em investigação pré-clínica.
O composto que despertou interesse
Os brócolos são ricos em compostos sulfurados. Um dos mais estudados é o sulforafano, um composto bioativo que, no caso do cabelo, tem sido analisado pela possibilidade de atuar em mecanismos associados à di-hidrotestosterona, conhecida como DHT, uma hormona envolvida na calvície androgenética.
Um estudo publicado em 2016 na revista Biochemical and Biophysical Research Communications observou, em modelo animal, que o sulforafano promoveu crescimento capilar em ratinhos ao acelerar a degradação da DHT.
Há sinais promissores, mas não certezas
Mais recentemente, um estudo de 2025 publicado no International Journal of Molecular Sciences avaliou extrato de rebentos de brócolos rico em sulforafano num modelo animal de alopecia androgenética e relatou sinais de promoção do crescimento capilar. O estudo foi feito num modelo murino induzido por testosterona, e não em pessoas.
Há ainda um pequeno estudo clínico de 2021 com uma formulação cosmética que incluía sulforafano, L-mentol e dexpantenol, mas isso não prova que comer brócolos trave a calvície.
Ainda assim, estes resultados devem ser lidos com cautela. A maior parte da evidência disponível continua a vir de estudos em laboratório ou em animais, e não de ensaios clínicos robustos em humanos sobre o consumo de brócolos ou sulforafano para tratar a calvície androgenética. 
Ou seja, comer brócolos não deve ser apresentado como cura para a calvície. Pode ser um alimento interessante numa dieta equilibrada, mas não substitui avaliação médica nem tratamentos com eficácia demonstrada. A American Academy of Dermatology refere, por exemplo, tratamentos com evidência como minoxidil e finasterida para casos selecionados de queda capilar.
Alimentação pesa sobretudo quando há défices
A relação entre dieta e queda de cabelo é mais clara quando existe carência nutricional. Revisões científicas na área da dermatologia e da nutrição capilar têm associado sobretudo défices de ferro, vitamina D, zinco e proteína (e, em algumas revisões, de outros micronutrientes e ácidos gordos essenciais) a diferentes formas de queda capilar.
Nestes casos, corrigir a alimentação pode ajudar a recuperar a saúde do cabelo. Por outro lado, suplementar sem défice confirmado pode não trazer benefício e, em alguns casos, até ser prejudicial. A AAD recomenda que suplementos como ferro, zinco ou biotina só sejam usados quando análises mostram deficiência.
Proteína, ferro e vitamina D também contam
Dietas muito pobres em proteína, regimes restritivos ou perdas rápidas de peso podem contribuir para queda difusa. O ferro e a vitamina D também merecem atenção, mas devem ser corrigidos apenas quando há deficiência comprovada. Tomar suplementos por iniciativa própria, sem avaliação médica, pode mascarar problemas ou criar desequilíbrios.
Cuidado com promessas milagrosas
A calvície androgenética tem uma forte componente genética e hormonal. Nestes casos, a alimentação pode apoiar a saúde geral do cabelo, mas dificilmente resolve o problema sozinha. Se a queda for rápida, localizada em placas, acompanhada de comichão, descamação, dor no couro cabeludo ou perda acentuada de densidade, o mais prudente é procurar um dermatologista.
Como incluir este alimento na rotina
Os brócolos podem ser incluídos em sopas, salteados, pratos de forno ou como acompanhamento de refeições com proteína. Para preservar melhor compostos como o sulforafano, pode ser preferível evitar cozeduras demasiado prolongadas.
No entanto, o mais importante continua a ser o padrão alimentar no conjunto. Uma dieta com proteína suficiente, hortícolas, fruta, leguminosas, peixe, ovos, frutos secos e boas fontes de micronutrientes tende a ser mais relevante do que apostar num único alimento.
No final, os brócolos podem ser um aliado interessante para a saúde capilar, sobretudo pela investigação em torno do sulforafano. Mas a ciência ainda não permite dizer que, por si só, travem a calvície em humanos.
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