Uma ameaça de saúde pública que se pensava controlada está a ganhar terreno de forma alarmante no continente europeu, obrigando as autoridades internacionais a reverem os níveis de segurança sanitária. O descontrolo nas taxas de infeção levou a que vários territórios na Europa, incluindo Espanha, perdessem oficialmente o selo de garantia de erradicação de uma doença altamente infecciosa e sem cura. O regresso da transmissão contínua coloca em alerta famílias e viajantes, especialmente devido à proximidade geográfica dos novos focos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que o sarampo deixou de ser considerado eliminado em seis nações da Europa e da Ásia Central. O aumento expressivo de contágios retirou este estatuto de segurança a países como Espanha, Reino Unido, Áustria, Arménia, Azerbaijão e Usbequistão.
A informação é avançada pela Executive Digest, portal de notícias focado em atualidade, que detalha os dados preocupantes da OMS. Para que um país perca este estatuto, é necessário que o vírus regresse e mantenha uma cadeia de transmissão ininterrupta durante mais de um ano, cenário que se verificou nestas geografias ao longo de 2024.
Vizinhos em risco imediato
A situação em Espanha é particularmente relevante para os portugueses, dada a intensa circulação transfronteiriça. Os registos mostram que os casos no país vizinho duplicaram num curto espaço de tempo, passando de cerca de 200 infeções em 2024 para aproximadamente 400 já em 2025.
Indica a mesma fonte que este cenário contrasta violentamente com a realidade de 2023, ano em que Espanha tinha reportado apenas 11 casos. No Reino Unido, a tendência é semelhante, com as autoridades a confirmarem quase três mil casos em 2024, o valor anual mais elevado desde 2012.
Uma epidemia silenciosa na Europa
O problema alastra-se a toda a União Europeia, onde os números globais revelam um agravamento dez vezes superior ao ano anterior. Foram notificados mais de 35 mil casos de sarampo no espaço comunitário durante o último ano completo de registos.
Explica a referida fonte que a Roménia surge como o epicentro deste ressurgimento, concentrando a esmagadora maioria das infeções, com mais de 30 mil casos confirmados. Atualmente, a doença é considerada endémica em doze países, lista que inclui potências europeias como França, Alemanha e Itália.
Perigo para os mais novos
A análise demográfica dos surtos mostra que os bebés com menos de um ano são o grupo mais vulnerável e afetado. Seguem-se as crianças entre um e quatro anos, pagando o preço mais elevado pelas falhas na cobertura vacinal da população.
A OMS alerta que o sarampo é frequentemente a primeira doença a reaparecer quando a imunização comunitária desce. Para manter a segurança, é necessária uma taxa de vacinação na ordem dos 95 por cento com duas doses, valor que muitos países deixaram de atingir.
Sem cura disponível
Como refere ainda a mesma fonte, “não existe cura nem tratamento específico” para combater o sarampo após a infeção. A única arma eficaz é a prevenção, uma vez que a doença é extremamente contagiosa.
Explica ainda a Executive Digest que cerca de 90 por cento das pessoas não imunes que sejam expostas a um doente acabarão por contrair o vírus. Os sintomas, que incluem febre alta e erupções cutâneas, surgem quase duas semanas após o contágio, tornando difícil a contenção imediata dos surtos.
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