Aos 101 anos, Iñaxi Lasa tornou-se um dos nomes mais partilhados nas redes sociais quando o tema é envelhecimento ativo. A centenária espanhola, natural do País Basco, aparece em vários perfis mediáticos como exemplo de rotina consistente, num percurso em que também surgem referências a problemas de saúde e fases de recuperação.
Uma rotina que começou por acaso já depois dos 90
Segundo o jornal espanhol AS, Iñaxi Lasa começou a treinar com regularidade já depois dos 90 e mantém atualmente uma rotina diária que pode chegar a cerca de duas horas. A mesma publicação refere que a centenária soma perto de 20 mil seguidores no Instagram, onde partilha vídeos e momentos do quotidiano.
A imprensa espanhola tem também destacado o contexto clínico associado ao percurso. O AS menciona artrose, glaucoma, degeneração macular, fraturas na anca e perda de visão, enquadrando a prática de exercício como um hábito que se manteve apesar dessas limitações.
O que diz ter retirado da dieta
É quando fala da alimentação que surgem as duas exclusões que motivaram muitos dos títulos recentes. De acordo com o jornal La Razón, Iñaxi Lasa afirma que eliminou por completo dois itens comuns do dia a dia: a farinha e o açúcar.
A mesma ideia aparece com ligeiras variações noutros relatos regionais. O Noticias de Gipuzkoa escreve que a centenária diz dar prioridade a vegetais e peixe de qualidade, referindo ainda que consome “muito pouco” açúcar e farinhas.
O que a ciência permite dizer sobre treino de força e risco de doença
A história de Iñaxi Lasa é um caso individual e não permite concluir, por si só, que a mesma combinação de hábitos tenha o mesmo efeito em todas as pessoas. Ainda assim, existe investigação que ajuda a enquadrar a discussão sobre treino de força e saúde.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada na British Journal of Sports Medicine concluiu que atividades de fortalecimento muscular estão associadas a menor risco de mortalidade por todas as causas e a menor risco de várias doenças não transmissíveis, com a maior redução de risco observada, em vários desfechos, em volumes aproximados de 30 a 60 minutos por semana.
Nos próprios estudos, a leitura é feita com cautela, já que este tipo de evidência descreve associações e pode ser influenciado por outros fatores, como o estilo de vida geral, a alimentação, o acesso a cuidados de saúde e a condição física de partida de cada pessoa.
Porque a massa muscular entra na conversa do envelhecimento
O tema é frequentemente ligado à perda gradual de massa muscular com a idade, fenómeno conhecido como sarcopenia. A Harvard Health Publishing refere que, a partir dos 30 anos, é comum perder até 3% a 5% de massa muscular por década, o que pode influenciar força, mobilidade e risco de quedas.
A frase que se tornou lema
Entre os elementos que mais circulam nos relatos sobre Iñaxi Lasa está uma frase atribuída à própria, usada como síntese da sua postura: diz preferir ser a pessoa mais velha no ginásio a ser a mais nova num lar. A expressão aparece repetida em diferentes versões da história e ajudou a fixar o tom do retrato público que tem sido construído em torno da centenária.
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