Guardar leite, ovos ou restos de comida na porta do frigorífico é um erro comum que pode fazer com que os alimentos se estraguem alguns dias antes do previsto. Especialistas em segurança alimentar, citados pelo jornal digital HuffPost, explicam que a porta é a zona mais quente e instável do aparelho: está mais afastada do fluxo de ar frio e aquece sempre que se abre o frigorífico. Essas oscilações favorecem o crescimento de microrganismos e aumentam o risco de azedamento ou mesmo de doença alimentar.
Um hábito que encurta a validade
Muitas pessoas tratam o frigorífico como “caixa fria geral” e colocam tudo onde cabe: leite no encaixe da porta, ovos no suporte, iogurtes atrás dos molhos. Quando o leite começa a azedar antes da data, o problema raramente é do fabricante. Pode ser da temperatura.
O cientista alimentar Bryan Quoc Le, citado pela mesma fonte, explica: “A porta é a parte mais quente do frigorífico porque fica mais longe das ventoinhas que empurram o ar frio. É também a que mais aquece sempre que se abre.”
Por que a porta aquece tanto
Cada abertura deixa escapar ar frio e deixa entrar ar da cozinha. As prateleiras interiores mantêm-se mais estáveis; a porta, exposta e com pouca massa fria, sobe de temperatura depressa e demora mais a recuperar. Se cozinha com a porta aberta ou vai lá muitas vezes em pouco tempo, multiplica o efeito.
Temperaturas que oscilam e “zona de perigo”
Idealmente, segundo a mesma fonte, o interior do frigorífico deve estar nos 4 °C ou abaixo. A porta pode ficar vários graus acima e, em cozinhas quentes ou com aberturas repetidas, cruzar esse limite. O professor Darin Detwiler, da Northeastern University, lembra que “a porta é a zona mais instável porque está constantemente exposta ao ar ambiente”.
Quando sobe acima dos 4 °C, aproxima-se da chamada “zona de perigo”, a faixa de temperatura em que as bactérias se multiplicam mais rapidamente (aprox. 4 °C a 60 °C). Mesmo pequenas subidas sucessivas encurtam a vida útil de alimentos sensíveis.
O que não deve guardar na porta
Os encaixes moldados podem sugerir o contrário, mas leite, ovos, iogurtes, natas, queijos macios e restos de refeições não devem ficar na porta. “Estes alimentos são altamente perecíveis; bastam alguns graus a mais para que bactérias e fungos se multipliquem rapidamente”, avisa Bryan Quoc Le, citado pela mesma fonte. Detwiler acrescenta carnes cruas (frango, peixe, bovino), molhos como maionese ou temperos à base de lacticínios, bem como medicamentos que requerem temperatura estável, incluindo certas insulinas e probióticos.
Repetidas oscilações térmicas favorecem microrganismos como Listeria ou Salmonella e aumentam o risco para crianças, idosos e pessoas com imunidade fragilizada.
Alimentos que podem ficar na porta
Nem tudo é problema. Produtos com muito sal, açúcar, ácido ou conservantes lidam melhor com variações: mostarda, ketchup, molhos picantes, pickles, compotas, geleias, molho de soja e vinagres são usos típicos para o espaço da porta. “Se um alimento pode estar à temperatura ambiente, ou se tem bastantes conservantes, pode ficar na porta do frigorífico”, resume Le. Ainda assim, convém fechar bem as embalagens e limpar derrames para evitar odores ou bolor.
Organizar para proteger a saúde
A arrumação do frigorífico não é apenas uma questão de ordem. “Uma boa organização protege a saúde”, recorda Detwiler, citado pelo jornal digital HuffPost. Use as prateleiras internas mais frias para leite e lacticínios frescos, ovos, carnes cruas seladas e sobras cozinhadas.
Reserve a porta para condimentos e produtos de uso frequente que tolerem flutuações. Reduza o número de aberturas, feche bem a porta e confirme periodicamente a temperatura definida no termóstato.
















