Com temperaturas a ultrapassar os 40 °C em várias zonas do país, a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) lançou esta semana um novo apelo à população para adotar medidas de autoproteção. Certos alimentos e a hidratação, neste contexto, assumem um papel essencial na resposta do organismo a ondas de calor.
Segundo comunicado da própria instituição, as temperaturas elevadas representam um risco acrescido, sobretudo para grupos vulneráveis como idosos, crianças, grávidas e pessoas com doenças crónicas. Para mitigar os efeitos do calor, as recomendações não se limitam ao uso de protetor solar ou à procura de locais frescos: saber que alimentos comer e beber também faz parte da estratégia.
Evitar o sol nas horas críticas
De acordo com a CVP, a primeira regra continua a ser evitar a exposição direta ao sol entre as 11:00 e as 17:00. Este período concentra os picos de radiação ultravioleta e representa maior risco de desidratação, insolação e agravamento de problemas de saúde pré-existentes.
Escreve a mesma fonte que o contacto regular com pessoas em situação de isolamento é também fundamental, sobretudo no caso de idosos e indivíduos com mobilidade reduzida. A CVP está a contactar ativamente os seus beneficiários através do serviço de teleassistência.
Hidratação regular, mesmo sem sede
A ingestão de líquidos ao longo do dia é uma das recomendações mais enfatizadas. Beber água com frequência, mesmo sem sede, é essencial para manter a temperatura corporal estável e compensar as perdas provocadas pela transpiração.
Segundo a instituição, a água deve ser preferida face a outras bebidas, nomeadamente refrigerantes, que contêm níveis elevados de açúcar e podem ter um efeito desidratante. A mesma precaução aplica-se às bebidas alcoólicas e às que contêm cafeína.
Bebidas que deve evitar
A sensação de frescura provocada por algumas bebidas é, muitas vezes, enganadora. Escreve a CVP que bebidas alcoólicas, energéticas, cafés e refrigerantes devem ser evitados durante períodos de calor intenso, pois potenciam a perda de líquidos e dificultam a regulação térmica do corpo.
A Organização Mundial de Saúde já tinha anteriormente alertado para o risco acrescido que o consumo de álcool representa em ambientes de calor extremo, nomeadamente por comprometer a capacidade de perceção de sede e alterar os mecanismos de resposta térmica do organismo.
Refeições leves e com água
No que toca à alimentação, a recomendação é clara: optar por refeições leves, de fácil digestão e distribuídas ao longo do dia. Saladas, frutas frescas e sopas frias são algumas das opções sugeridas pela CVP.
Segundo a mesma entidade, alimentos ricos em água, como melancia, pepino, tomate ou alface, são aliados importantes no reforço da hidratação e ajudam a manter o apetite quando o calor reduz a vontade de comer.
Atenção especial a quem depende de si
O calor extremo não afeta todos da mesma forma. Crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças cardiovasculares ou respiratórias apresentam maior risco de complicações. A CVP recomenda que familiares, vizinhos ou cuidadores mantenham contacto regular com estes grupos e estejam atentos a sinais de desidratação ou mal-estar.
A Direção-Geral da Saúde, em linha com as orientações da CVP, recomenda que não se deixe ninguém, pessoas ou animais, no interior de veículos estacionados, mesmo por breves minutos ou com as janelas abertas, já que a temperatura pode subir rapidamente para níveis letais.
E se os sintomas aparecerem?
Caso surjam sintomas como tonturas, dor de cabeça, náuseas, pele seca ou confusão mental, o indicado é procurar imediatamente um local fresco, ingerir água e, se necessário, contactar os serviços de emergência.
O número 112 deve ser utilizado em situações de emergência médica, enquanto as linhas de saúde e apoio social mantêm-se operacionais para dar resposta a dúvidas ou situações não urgentes.
Um verão mais consciente pode salvar vidas
A onda de calor que afeta Portugal Continental deverá prolongar-se nos próximos dias, com picos que podem atingir valores históricos.
A CVP sublinha que a prevenção é, neste contexto, a melhor ferramenta disponível. Pequenas escolhas, como o que se bebe ou que alimentos come, podem fazer uma grande diferença na resposta do corpo ao calor. E, em casos limite, podem mesmo salvar vidas.
















