Pela primeira vez na União Europeia (UE), uma fruta fresca recebeu luz verde para anunciar benefícios comprovados para a saúde intestinal. Com a aprovação da Comissão Europeia (CE), o kiwi verde tornou-se o primeiro fruto fresco com alegação de saúde autorizada e passa a poder ser promovido como aliado no combate ao trânsito intestinal irregular, um marco inédito no quadro legal europeu.
A decisão, publicada no final de julho, reconhece que o consumo diário de dois kiwis verdes frescos (cerca de 200 gramas de polpa) “contribui para o funcionamento normal do intestino ao aumentar a frequência das evacuações”. Trata-se de uma declaração de propriedades saudáveis, conhecida como health claim, que, até aqui, estava reservada sobretudo a suplementos e alimentos processados.
Primeira vez que uma fruta fresca recebe autorização
Nos últimos cinco anos, apenas três alegações de saúde tinham sido aprovadas pela Comissão, e nunca relativas a produtos frescos. O processo é exigente, demora anos e só avança com base em provas científicas sólidas. No caso do kiwi, foram necessários 15 anos de investigação para sustentar a sua eficácia no combate ao desconforto intestinal.
A investigação foi conduzida pela Zespri, multinacional líder na produção e distribuição de kiwis. A empresa desenvolveu estudos clínicos em vários países, demonstrando de forma consistente os efeitos positivos desta fruta sobre a regularidade intestinal.
Impacto no mercado e na comunicação
Até agora, embora já existissem evidências científicas sobre os benefícios do kiwi verde, não era permitido anunciá-los de forma explícita. Com esta aprovação, produtores e distribuidores passam a poder comunicar legalmente a sua contribuição para o bem-estar digestivo.
Ainda assim, a autorização restringe-se apenas ao benefício intestinal. Outros efeitos que têm sido associados ao kiwi, como ajudar no sono ou reforçar a imunidade, não foram contemplados por falta de aprovação regulatória.
Fruta em destaque, mas sem exclusividade
Especialistas sublinham que esta decisão não significa que outras frutas e vegetais sejam menos saudáveis. A diferença está no facto de o kiwi ter concluído, com sucesso, um processo legal longo e dispendioso que permite incluir alegações de saúde nos rótulos e campanhas.
O enquadramento legal assenta no Regulamento 1924/2006 do Parlamento Europeu, que define regras rigorosas para qualquer declaração nutricional ou de saúde em alimentos. A entrada em vigor do documento ocorreu 20 dias após a publicação oficial, tornando-se imediatamente aplicável em todos os Estados-membros da UE.
Com esta aprovação, o kiwi verde ganha um estatuto inédito e reforça a sua posição como fruto de referência na promoção de uma alimentação equilibrada.
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