Perfil curto dos 11 candidatos a Belém às eleições presidenciais de 18 de janeiro.
Marques Mendes: O político que foi quase tudo no PSD e quer agora ser Presidente
Luís Marques Mendes, 68 anos, foi deputado, secretário de Estado, ministro e líder do PSD, e entregou o cartão de militante no dia em que anunciou a candidatura a Presidente da República, em 06 de fevereiro.
Meses mais tarde, no final de maio, o PSD aprovou o apoio formal à sua candidatura, e o CDS-PP acabaria por fazer o mesmo, em novembro.
Luís Manuel Gonçalves Marques Mendes nasceu em Azurém, uma freguesia do concelho de Guimarães (distrito de Braga), em 05 de setembro de 1957, e viveu boa parte da sua vida em Fafe, filiando-se em junho de 1974 no então PPD (que em 1976 passaria a PPD/PSD).
Licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Coimbra e, ainda estudante com 19 anos, chegou a vice-presidente da Câmara Municipal de Fafe e a adjunto do governador civil de Braga.
Integrou os três governos liderados por Cavaco Silva nas décadas de 80 e 90, como secretário de Estado Adjunto do ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e, finalmente, ministro Adjunto do primeiro-ministro, entre 1992 e 1995, e líder parlamentar.
Depois de perder a liderança do PSD em 2000, ganhou à segunda, em 2005, esteve no cargo dois anos – perdeu para Luís Filipe Menezes nas eleições diretas.
Não exerceu mais cargos políticos, tendo desempenhado funções como consultor jurídico da Abreu Advogados desde 2012. Foi comentador televisivo na SIC entre 2013 e janeiro deste ano, uma semana antes de avançar para Belém.
É conselheiro de Estado desde 2011, primeiro eleito pela Assembleia da República no segundo mandato de Cavaco Silva, e desde 2016 como um dos cinco membros escolhidos pelo atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Gouveia e Melo: o almirante das vacinas que promete estar acima das disputas partidárias
O almirante na reserva Gouveia e Melo candidata-se a Presidente da República com a promessa de estar acima das disputas partidárias e ser mobilizador na ação, após ter adquirido notoriedade como coordenador do plano de vacinação contra a covid-19.
Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo, divorciado, com dois filhos, tem 65 anos, nasceu em Quelimane, Moçambique, entrou na Escola Naval em setembro de 1979 e teve uma longa carreira militar até chegar a chefe do Estado-Maior da Armada em dezembro de 2021, cargo em que permaneceu até ao fim de 2024.
Na esfera pública, Henrique Gouveia e Melo começou a distinguir-se quando liderou a equipa das Forças Armadas destacada para apoiar as populações e os bombeiros durante a tragédia dos incêndios de Pedrógão Grande em 2017.
Em novembro de 2020, integrou a ‘task force’ do plano de vacinação contra a covid-19. E em fevereiro de 2021, após várias polémicas, o ex-primeiro-ministro, António Costa, nomeou-o coordenador da equipa.
O sucesso no exercício deste cargo valeu-lhe elevado reconhecimento público e em 2022 o seu nome começou a ser apontado como um dos possíveis candidatos à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa no cargo de Presidente da República.
Anunciou a sua candidatura presidencial em 14 de maio, em plena campanha eleitoral para as legislativas, o que lhe valeu críticas.
Gouveia e Melo diz situar-se no “centro pragmático”, afirma ter Mário Soares e o general Ramalho Eanes como modelos de Presidente, e defende que a política externa portuguesa deve ter “um pé na Europa e outro no Atlântico”.
Após o 25 de Abril de 1974, saiu com a família de Moçambique. Durante o chamado período revolucionário, viveu primeiro em Viseu e depois no Brasil. Filho de um advogado “liberal” crítico do Estado Novo, regressou em definitivo a Portugal a seguir ao 25 de Novembro de 1975.
Com 24 anos, na Escola Naval, integrou a esquadrilha de submarinos, onde passou 31 dias seguidos submerso.
Exerceu diversos comandos operacionais ao longo de uma carreira de mais de 40 anos, em que acumulou mais de 20 mil horas de navegação.
Durante largos meses manteve o “tabu” sobre a sua candidatura a Belém. Em outubro de 2021, em Lisboa, tinha manifestado a intenção de não se “deixar cair na tentação” da política. “Se isso acontecer, deem-me uma corda para me enforcar”, disse.
Mais tarde, alegou que essa declaração foi uma nota de humor. Para os seus adversários, porém, simbolizou as suas contradições políticas.
André Ventura: O rosto do Chega que se afirma candidato antissistema
André Ventura, líder e figura central do Chega, voltou a entrar na corrida a Belém depois do terceiro lugar em 2021, reclamando-se o candidato antissistema, que não será o Presidente de todos os portugueses.
André Claro Amaral Ventura, 42 anos, começou o seu percurso político no PSD, partido pelo qual foi eleito vereador da Câmara Municipal de Loures em 2017, após uma campanha que ficou marcada por declarações sobre a comunidade cigana, que causaram polémica.
Em 2018, desfiliou-se do PSD, em rutura com o então líder do partido, Rui Rio, renunciou ao mandato de vereador em Loures.
André Ventura fundou o Chega em 2019 e é o seu presidente desde o primeiro congresso, cargo que mantém há seis anos, após várias reeleições.
O líder do Chega, que conta com o apoio do partido, anunciou em setembro que voltaria a candidatar-se a Presidente da República para esta força política “ter voz” nas presidenciais de 18 de janeiro.
O discurso discriminatório contra ciganos e anti-imigração, que tem vindo a repetir ao longo dos anos, manteve-se nesta candidatura, nomeadamente em cartazes espalhados pelo país e que lhe valeram um processo em tribunal.
Em 2019, Ventura foi eleito pela primeira vez para a Assembleia da República, na altura como deputado único. Dois anos depois, o partido elegeu 12 deputados e em 2025 conseguiu 60 lugares, tornando-se a segunda força parlamentar.
Ventura foi candidato a Presidente da República pela primeira vez em 2021 e conseguiu perto de 500 mil votos, que se traduziram em 11,9% dos votos, e ficou em terceiro lugar.
André Ventura nasceu em 15 de janeiro de 1983, em Algueirão-Mem Martins, freguesia do concelho de Sintra. É casado com Dina Nunes Ventura desde 2016 e não tem filhos.
É licenciado em direito pela Universidade Nova de Lisboa e doutorado na mesma área pela Universidade de Cork, na Irlanda. É jurista, foi professor universitário, consultor e inspetor na Autoridade Tributária e, antes da política, ficou conhecido como comentador televisivo sobre desporto. É adepto do Benfica.
André Pestana: Das greves nas escolas a candidato pelos “sem voz”
André Pestana, 48 anos, de Coimbra, conhecido pelas greves nas escolas em 2022/2023, enquanto rosto do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.T.O.P.), apresentou a candidatura às eleições presidenciais “para ser a voz dos sem voz”.
Na página da sua candidatura, André Pestana diz ter sido desafiado por 50 ativistas de várias áreas para entrar na corrida à Presidência da República, com o objetivo de “ser a voz dos sem voz”, “elevar a luta pelos serviços públicos a outro patamar” e “ripostar à barbárie social/ecológica e injustiça crescentes”.
Nascido e criado em Coimbra, é professor de Biologia e Geologia, tem dois filhos e o seu mote de campanha “é hora de abrir a pestana”.
Formou-se em Biologia na Universidade de Coimbra, com média final de curso de 16 valores, e doutorou-se em Biologia, na área das alterações climáticas, na Universidade Técnica de Lisboa e distinguiu-se na luta contra as propinas.
Desde 2001, como professor do ensino secundário, deu aulas em escolas de várias zonas do país (Montemor-o-Velho, Oliveira do Hospital, Serpa, Lisboa, Oeiras, Fátima, Cascais, Sintra) sempre como professor precário, tendo efetivado apenas em 2023. Foi sindicalista do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa da Federação Nacional dos Professores (SPGL/FENPROF).
Em 2018, “sucessivas desilusões” levaram-no a fundar, juntamente com colegas, um o S.TO.P, inicialmente Sindicato de Todos os Professores e, atualmente, Sindicato de Todos os Profissionais da Educação, com sucessivas greves em 2018, 2019 e 2020.
Passou pela Juventude Comunista Portuguesa (JCP), pelo Bloco de Esquerda (BE) e mais tarde pelo MAS, tendo, posteriormente, interrompido a militância partidária.
Humberto Correia: O candidato surpresa que quer resolver a crise da habitação
O pintor e autor Humberto Correia apareceu de surpresa com a entrega de quase 9.500 assinaturas no Tribunal Constitucional e prometeu percorrer Norte a Sul vestido de D. Afonso Henriques, com a crise da habitação no centro das preocupações.
Nascido em 1961 no concelho de Olhão, distrito de Faro, onde reside, Humberto Correia é pai de dois filhos e esteve emigrado em França, onde trabalhou cerca de 10 anos em várias fábricas e 15 anos na construção civil.
Regressou a Portugal em 2003 e dedicou-se a pintar quadros na rua, na baixa de Faro, durante 20 anos.
Em 2017 foi candidato à Câmara Municipal de Faro e é também autor do livro “As Pulgas da Minha Infância”, sobre um menino que cresce no seio de uma família pobre da sociedade portuguesa nos anos 60 e 70 do século XX.
Humberto Correia justificou a sua decisão de avançar para a corrida à Presidência da República com a pobreza vivida por “muitos portugueses”, considerando que a atual crise da habitação é “o maior problema” do país.
O candidato defende mais habitação social construída pela Estado, para alugar a preços acessíveis, e que o Presidente da República deve recorrer à magistratura de influência para resolver este problema.
Como ações de campanha, o candidato prometeu percorrer o país a entregar os seus panfletos na rua, vestido de Dom Afonso Henriques.
O início da campanha será em Viana do Castelo, seguindo-se Guimarães, Braga, Vila Real, Bragança, e a ideia é ir descendo até ao Algarve, tal como Dom Afonso Henriques na conquista de Portugal.
Jorge Pinto: O “europeísta convicto” que quer levar um “novo sotaque” até Belém
O deputado do Livre Jorge Pinto assume-se como um europeísta convicto, vê a esquerda como “uma janela” e é o candidato mais novo na corrida a Belém, para onde se propõe levar um “sotaque novo”.
Eduardo Jorge Costa Pinto nasceu em Amarante, cidade do distrito do Porto conhecida como “a princesa do Tâmega”, a 20 de abril de 1987.
Filho de dois professores, Jorge e Ercília, e conhecido entre os amigos como “Jójó”, cresceu numa quinta no centro de Amarante, numa família numerosa, com nove irmãos do lado do pai e cinco do lado da mãe.
Desde novo que Jorge Pinto revelou ter uma forte consciência política, associando-se a vários movimentos associativos, na defesa da causa timorense e ambiental.
É licenciado em Engenharia do Ambiente e doutorado em Filosofia Social e Política.
Aos 21 anos, saiu de Portugal: fez Erasmus na Lituânia e elaborou a sua tese de mestrado na Índia, antes de viver em países como França, Itália ou Bélgica.
Foi em Bruxelas que residiu mais tempo e onde se fixou em 2012 como funcionário europeu, tendo trabalhado na agência de apoio à aviação europeia Eurocontrol e exercido funções na Comissão Europeia.
Aos 18 anos, filiou-se no PS, partido do qual saiu em 2013, altura em que António José Seguro – também candidato presidencial – era líder socialista.
Em 2014, foi um dos fundadores do Livre e dez anos depois o primeiro deputado do partido eleito pelo círculo eleitoral do Porto.
Define-se como um “europeísta convicto” e já disse ver a esquerda como “uma janela” e não “uma gaveta”, em resposta a declarações de Seguro. A sua referência política na Presidência da República é Jorge Sampaio.
É casado com uma violoncelista espanhola e tem um filho de um ano.
Cotrim Figueiredo: O gestor que se tornou “político acidental”
João Cotrim Figueiredo, 64 anos, foi gestor a maior parte da vida, mas, há seis anos, tornou-se um “político acidental” que, de deputado a líder da IL e eurodeputado, ambiciona agora chegar ao mais alto cargo da Nação.
Nascido em 24 de junho de 1961 em Lisboa, João Fernando Cotrim Figueiredo ganhou notoriedade nacional em 2019, quando se tornou no primeiro deputado da Iniciativa Liberal a sentar-se no parlamento, mas, antes disso, teve 34 anos de experiência empresarial.
Essa experiência começou logo aos 15 anos quando, ainda estudante no Colégio de Alemão, começou a vender, porta a porta, cabides da empresa Manequim, fundada pelo seu bisavô, experiência que, diria mais tarde, lhe revelou que queria ser homem de negócios.
Após o fim do ensino secundário, em 1979, foi viver para Londres, fascinado pelo “espírito de liberdade” que se vivia na capital inglesa, e onde, para conseguir pagar a licenciatura em Economia na London School of Economics, foi acumulando empregos, entre os quais servir ‘cocktails’ numa galeria de arte contemporânea.
Ao longo desses 34 anos, Cotrim Figueiredo foi administrador da Compal e da Nutricafés, diretor-geral da TVI e, entre 2013 e 2016, presidente do Conselho Diretivo do Turismo de Portugal, a convite do então ministro da Economia Bernardo Pires de Lima, do Governo de Pedro Passos Coelho.
Apesar de afirmar que “nunca foi antipolítico”, Cotrim Figueiredo assumiu recentemente que só decidiu entrar na política quando, numa conversa com um dos filhos, que estava à procura de emprego, percebeu que as gerações mais jovens tinham menos oportunidades e piores condições profissionais do que a sua geração.
Ficaria cerca de três anos como líder da IL, entre dezembro de 2019 e janeiro de 2023, período no qual a IL ascendeu a quarta força política, com um grupo parlamentar de oito deputados.
Como líder do partido e deputado na Assembleia da República, que deixou em 2022, Cotrim Figueiredo ficou conhecido pelo seu sentido de humor, retórica e fórmulas inventivas, mas também por defender propostas polémicas e que se tornariam bandeiras do partido, como a criação de uma taxa única de IRS ou um vasto programa de privatizações, que incluía empresas como a RTP, Caixa Geral de Depósitos e TAP.
Nas eleições europeias de 2024 foi eleito eurodeputado com o melhor resultado de sempre do partido em qualquer tipo de eleições, com mais de 350 mil votos (9,08%).
António Filipe: o sócio do Belenenses que quer ser o primeiro comunista em Belém
António Filipe, 62 anos, candidata-se à Presidência da República depois de quase 50 anos de atividade política, a maioria da qual na Assembleia da República e ao serviço do PCP, partido ao qual aderiu em 1983.
Nascido em 28 de janeiro de 1963 na Amadora, distrito de Lisboa, António Filipe Gaião Rodrigues tinha 12 anos quando se deu o 25 de Abril de 1974, dia em que, segundo diz, “a vida passou a ser a cores” e que o levou, em junho daquele ano, a ter o primeiro encontro com o PCP, numa sessão de esclarecimento organizada numa pequena associação dirigida pelo seu pai.
Com “grande vontade de participar e de intervir”, inscreveu-se na União Estudantil Comunista (UEC), antecessora da Juventude Comunista Portuguesa (JCP), iniciando o seu percurso de intervenção política como delegado de turma, quase ao mesmo tempo em que se tornou, aos 13 anos, sócio do clube de futebol Belenenses, paixão que mantém até hoje – é atualmente membro do Conselho Geral do clube de Belém.
Colega de turma do ex-primeiro-ministro e presidente do Conselho Europeu, António Costa, e aluno do atual chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, no curso de Direito da Universidade Clássica de Lisboa, António Filipe juntar-se-ia à JCP no ano da sua fundação, em 1979, tornando-se seu dirigente em 1985.
Eleito deputado do PCP em 1989, manteve-se ininterruptamente no parlamento até 2022 e foi vice-presidente da Assembleia da República entre 2005 e 2022, tornando-se reputado entre camaradas e adversários pelo seu sentido de humor e por ser uma pessoa séria, aberta ao diálogo e que procura consensos.
O agora candidato presidencial ficou, no entanto, também conhecido por posições polémicas a nível de política internacional, designadamente o facto de ter considerado “profundamente injusto” classificar o histórico líder cubano Fidel Castro como um ditador, além de ter afirmado que o atual Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, personifica “um poder xenófobo e belicista rodeado e sustentado por forças de cariz fascista e neonazi”.
Manuel João Vieira: Entre o irracional e o sério a expor “o absurdo da política”
O músico e artista plástico Manuel João Vieira anunciou pela quinta vez a candidatura à Presidência da República, com as habituais propostas surrealistas para expor o “absurdo da política”, e justificou a decisão com o “crescimento do fascismo”.
Figura conhecida do entretenimento há várias décadas, nasceu em 1962, em Lisboa, estudou Ilustração na Fundação Calouste Gulbenkian e licenciou-se na Faculdade de Belas Artes de Lisboa em 1988, seguindo o exemplo do pai, o pintor João Rodrigues Vieira.
O músico, pintor e professor foi líder dos Ena Pá 2000, banda caracterizada pelo humor absurdo (‘nonsense’) e por vezes pornográfico das suas letras, bem como dos Corações de Atum e dos Irmãos Catita, tendo criado e representado várias personagens em palco, como Lello Universal, Lello Minsk, Lello Marmelo, Élvis Ramalho, Orgasmo Carlos, Catita, entre outros.
Entre o absurdo e o sério, nota-se-lhe a crítica além do ‘nonsense’, tendo defendido na sua última candidatura à Presidência que a política e a arte deviam estar mais unidas e que é preciso desconstruir “as frases absurdas da política”.
Insistindo na promessa de “só desistir se for eleito”, entre as propostas que apresenta – umas novas, outras repetidas de candidaturas anteriores – Vieira promete vinho canalizado em todas as casas e fontes de bagaço nas ruas, patinadoras russas para todos os homens, dançarinos cubanos para todas as mulheres e um Ferrari para cada português.
Relativamente à imigração, um dos alvos do discurso da extrema-direita, Manuel João Vieira propõe tratamentos para clarear a pele das pessoas mais escuras e escurecer a das pessoas mais claras, para uniformizar o tom de pele de todos os que vivem em Portugal.
Manuel João Vieira tinha já anunciado candidaturas às eleições presidenciais de 2001, 2006, 2011 e 2016.
Seguro quebra jejum na política “sem amarras” e com apoio do PS
António José Seguro, antigo líder socialista, quebrou uma década de interregno político com a candidatura presidencial, que assegura ser “sem amarras” apesar do apoio do PS quatro meses depois, posicionando-se na “esquerda moderada e moderna” após ter recusado gavetas.
Seguro avançou para as eleições presidenciais sem esperar pelo partido que liderou e, em 15 de junho, apresentou a sua candidatura “sem amarras”, apartidária e aberta a todos os democratas. Só quatro meses depois é que o PS formalizou o apoio.
António José Martins Seguro nasceu em 11 de março de 1962 em Penamacor, é mestre em Ciência Política, pelo ISCTE-IUL, e licenciado em Relações Internacionais, pela Universidade Autónoma de Lisboa. É casado e tem dois filhos.
Depois de ocupar vários cargos públicos – membro do Governo, deputado ou eurodeputado, entre outros – Seguro afastou-se da vida política após a demissão de secretário-geral do PS, em setembro de 2014, na sequência da derrota das eleições primárias contra António Costa.
Remetendo-se à condição de “militante de base” depois de deixar a liderança do PS, que ocupou entre 2011 e 2014, o agora candidato presidencial dedicou-se às aulas na universidade e aos seus negócios e manteve-se quase em silêncio sobre as questões políticas ao longo da última década, com raríssimas exceções.
Líder da Juventude Socialista (JS) entre maio de 1990 e março de 1994, conheceu, pela mão de António Guterres, uma ascensão rápida: chefe de gabinete do secretário-geral, foi eleito deputado nas legislativas de 1991 e a partir de 1994 fez parte do núcleo duro do “guterrismo” e secretário de Estado do Desporto.
Em 1999, foi número dois de Mário Soares na lista do PS às europeias, regressando a Lisboa dois anos depois ser ministro-adjunto do primeiro-ministro.
Durante a governação de Sócrates, Seguro esteve sempre na segunda linha, apesar de ter sido cabeça de lista por Braga nas eleições legislativas de 2005, 2009 e 2011, tendo coordenado a reforma do Parlamento em 2007.
Do teatro para a política, Catarina Martins aponta a Belém para “cuidar da democracia”
Após mais de uma década na liderança do BE, 14 anos como deputada e uma carreira dedicada à cultura, a eurodeputada bloquista Catarina Martins concorre pela primeira vez à Presidência da República, prometendo “cuidar da democracia” e fazer pontes.
Catarina Soares Martins nasceu no Porto em 1973, é casada e tem duas filhas e, após um percurso ligado ao teatro, a atriz chegou ao parlamento em 2009, então ainda como independente pelas listas do BE, partido ao qual aderiu só em 2010 apesar de o seu pai ser um dos subscritores do manifesto “Começar de Novo”, que deu origem a esta força política.
Entre 2012 e 2013, liderou os destinos do partido, no início com João Semedo, a “liderança bicéfala” que sucedeu à era de Francisco Louçã.
A partir de 2014 assumiu, sozinha, os comandos do partido e nas legislativas de 2015 levou o BE ao melhor resultado da sua história com mais de meio milhão de votos, 19 deputados e a terceira força política no parlamento.
É na sequência destas eleições que assina, em nome do BE, o acordo com o PS que deu corpo à batizada ‘geringonça’, o apoio parlamentar de toda a esquerda que permitiu que António Costa chegasse então a primeiro-ministro.
As eleições de 2022 ditaram um dos piores resultados do BE, que caiu para quinta força política e ficou reduzido a cinco deputados.
Depois das eleições de 2023 que deram a maioria absoluta ao PS e a António Costa, Catarina Martins anuncia que iria deixar de ser coordenadora do partido.
Depois de 14 anos no parlamento, faz uma pausa de pouco mais de meio ano. Em março de 2024, foi escolhida como cabeça de lista do BE às europeias, conseguindo assegurar a sua eleição, mas ficando sozinha no Parlamento Europeu já que o partido perdeu um dos dois mandatos que tinha.
Antes de ser uma cara conhecida dos portugueses pela sua atividade política, a sua vida esteve ligada à Cultura, tendo em 1994 fundado uma companhia de teatro profissional no Porto.
Estudou na Universidade de Coimbra, licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, tem ainda um mestrado em Linguística e frequenta um doutoramento em Didática das Línguas.
NS/SMA/PMF/ARL/FM/MPE/TA (FP/JRS) // JPS // Lusa/fim
Leia também: As eleições presidenciais em 14 números















