A Câmara Municipal de Albufeira rejeitou esta quarta-feira que o seu presidente, Rui Cristina, eleito pelo Chega, tenha discriminado qualquer grupo ou etnia, assegurando que está a colaborar com as investigações conduzidas pelo Ministério Público.
Em comunicado, a autarquia recorda que “o presidente da Câmara solicitou no início do seu mandato uma auditoria à gestão da autarquia e está, desde o dia da tomada de posse, a encontrar soluções para os inúmeros problemas existente”.
Na mesma nota, é ainda referido que a auditoria decorre “no uso da competências que estão atribuídas às câmaras municipais nestas matérias, para todos, de forma condigna e igual, não discriminando (positiva ou negativamente) qualquer grupo, etnia ou qualquer outro em detrimento de outros, o que seria ilegal (sendo que, se no passado ocorreu, foi em violação da lei)”.
O Ministério Público confirmou a realização de buscas na Câmara Municipal de Albufeira, no âmbito de um inquérito que se encontra em segredo de justiça, não tendo avançado mais detalhes sobre as suspeitas em causa.
“Confirma-se apenas a realização de buscas no âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional de Évora, o qual se encontra em segredo de justiça”, adiantou a Procuradoria-Geral da República, em resposta à Lusa.
Na nota, a Câmara de Albufeira refere ainda que pretende “esclarecer” sobre as buscas da Polícia Judiciária feitas na autarquia, na sequência da denúncia de uma deputada municipal sobre “declarações discriminatórias para com a comunidade cigana” de Rui Cristina, numa sessão da Assembleia Municipal.
Autarquia aponta a denúncia e processo paralelo
De acordo com a Câmara de Albufeira, a investigação refere-se também uma queixa apresentada por Rui Cristina contra a deputada municipal Helena Palhota Simões (eleita pelo PSD) “pela prática de atos aptos a manchar o seu bom-nome, credibilidade e honra, em que a mesma é investigada pela prática do crime de difamação agravada e denúncia caluniosa”.
Helena Palhota Simões disse hoje à Lusa que se limitou a solicitar ao Ministério Público, em meados de dezembro, que averiguasse declarações feitas por Rui Cristina, tendo enviado cópia da ata da Assembleia Municipal de 27 de novembro, com o ‘link’ no Youtube das declarações.
Câmara critica atuação do Ministério Público
Sobre as buscas, a Câmara de Albufeira adianta que a documentação solicitada “é pública e publicada, pelo que um ofício resolveria” o problema, censurando o Ministério Público por esta instituição “mobilizar meios para recolher informação que é pública e facilmente acessível”.
“A autarquia colabora, desde o primeiro momento, fornecendo todas as informações solicitadas”, assegura a autarquia.
Na Assembleia Municipal de Albufeira de 26 de novembro, cuja gravação está disponível no canal Youtube daquele órgão autárquico, Rui Cristina afirmou que não iria “gastar dinheiro com a etnia cigana”, enquanto existem munícipes com necessidades de casa, em resposta a um deputado municipal sobre a construção de habitação social no concelho.
“Isto é muito polémico o que vou dizer, eu não sou deste tipo de conversa, mas tenho de dizer isto. Peço desculpa, isto é duro estar-vos a dizer isto. Podem chamar-me xenófobo, podem chamar-me o que vocês quiserem. Primeiro estamos nós, que pagamos impostos e que temos necessidades, e depois estão estas comunidades. É assim que vai ser. Enquanto eu cá estiver, nestes quatro anos […], será assim relativamente a isto”, afirmou.
Rui Cristina iniciou funções em 04 de novembro como presidente da Câmara de Albufeira, cargo para o qual foi eleito, em outubro, pelo Chega, com 40,51% dos votos, destronando a coligação PSD/CDS-PP, que geria o município há várias décadas.
A vitória de Rui Cristina em Albufeira marcou a entrada do Chega no poder autárquico do distrito de Faro, depois de o partido ter vencido as legislativas de 2024 e de 2025 no Algarve.
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