Redijo a título estrita e puramente pessoal. Recusa-se, portanto, qualquer manobra persuasória que incuta um sentido de voto das estruturas a que pertenço, represento e lidero.
Ser-se Democrata-Cristão é personificar um paradoxo simultâneo. Praticar o Personalismo é respeitar o seu dogma fundacional: a pessoa humana é o pressuposto e o limite de qualquer atuação intelectual ou modo de agir.
Um humanista deve ser fiel aos seus valores, é este um dogma assente na doutrina. Uma Verdade irrefutável. Assim, ainda que haja momentos e decisões difíceis, os princípios da Democracia-Cristã não podem ser colocados em causa.
Não obstante, ser-se personalista é constatar que o puro taticismo políticopartidário deve ser abandonado quando o interesse nacional é colocado em causa – sem nunca, note-se, abdicar desses mesmos princípios e valores.
A História assim o confirma. Em abril de 1976 o Centro Democrático Social (CDS-PP) votaria contra a Constituição socialista de abril por entender que esse mesmo instrumento jurídico violaria os valores, sendo estes, portanto, inalienáveis. Contudo, em janeiro de 78, cerca de dois anos depois, o II Governo Constitucional é constituído justamente pelo Partido Socialista e pelo próprio CDS-PP. A razão? O bem-comum da Nação impunha-se sobre os interesses partidários.
Quase 50 anos mais tarde, os Democratas-Cristãos encontram-se numa posição relativamente semelhante: a escolha entre o combate ao Socialismo e a rejeição do populismo – expressão retirada do comunicado lançado pelo próprio CDS-PP.
Levanta-se então a pergunta: se a rejeição do populismo constitui a salvaguarda nacional, porque não repetir a tática? Se os instauradores da Democracia-Cristã em Portugal, note-se, o Sr. Professor Diogo Freitas do Amaral e o Sr. Engenheiro Adelino Amaro da Costa – ainda que não diretamente envolvidos no Governo – conseguiram colocar os interesses nacionais à frente dos proveitos puramente partidários, porque não conseguimos fazê-lo hoje?
A decisão dos centristas é, a meu ver, incorreta essencialmente por dois motivos. De um ponto de vista tático, o CDS-PP deve demarcar-se o máximo possível do PPD/PSD quando tal seja possível dentro da estabilidade governativa. O apoio ao Dr. Luís Marques Mendes na 1ª volta das eleições presidenciais sempre foi, pela sua própria natureza, um erro de casting e, nesta 2ª volta, não tendo o partido aliado no Governo declarado apoio a nenhum candidato presidencial, o CDS-PP tinha novamente uma oportunidade desse tal distanciamento, optou, uma vez mais, pela sombra.
Um segundo argumento é, também, a minha ratio de apoio ao Dr. António José Seguro. A verdade é que a Direita sempre qualificou a ala moderada e responsável do PS como o bom Socialismo, ou seja, um determinado conjunto de pessoas que, ainda que dotadas de um pensamento mais descaído à esquerda, lograva em consensos em prol do progresso. O Dr. António José Seguro é a imagem desse mesmo bom Socialismo, primeiramente, porque tem a capacidade do colocar os interesses nacionais à frente das inclinações pessoais e puramente partidárias e, em segundo lugar, porque, à semelhança de nós, humanistas, acredita numa política de princípios e valores inalienáveis.
Refuto, liminarmente a falsa tese dicotómica que define estas eleições como um confronto entre Democracia e Fascismo. Tal analogia é, não só tecnicamente incorreta, como também absurdamente infiel aos valores democráticos. O voto do povo não pode ser considerado legítimo apenas quando se encontra à esquerda – todo o sufrágio permitido pelo Tribunal Constitucional deve ser respeitado.
Porém, estas eleições serão, em rigor, um confronto entre a matriz axiológica da Democracia-Cristã e aqueles que a negam. Não há margem para neutralidade, a defesa intransigente do Bem-Comum exige posicionamento, coragem e compromisso.
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