A cidade eslovaca transformou-se num vibrante centro cultural de relevância europeia, acolhendo dezenas de milhar de visitantes num fim de semana de abertura memorável.
Trenčín deu o pontapé de saída para o seu ano como Capital Europeia da Cultura (CEC) 2026 com aquele que já é considerado o maior evento cultural da sua história moderna. Durante três dias repletos de dinamismo, o “Fim de Semana de Abertura” transformou o centro da cidade e os seus bairros num palco vivo, oferecendo mais de cem eventos artísticos e comunitários.
Trencin 2026, A Cerimónia de AberturaFotografia por Trencin 202
Um palco global com alma local
O programa contou com a participação de milhares de artistas e centenas de voluntários. Das ruas e praças às galerias, igrejas e até discotecas, a cidade respirou arte em cada esquina. Segundo Stanislav Krajči, Diretor do projeto Trenčín 2026, o objetivo foi criar uma oferta abrangente: “Queríamos que todos encontrassem algo no programa, fosse uma performance de grande escala ou uma experiência íntima num bairro.”
A dimensão internacional foi evidente, com artistas vindos de mais de 20 países, incluindo Portugal, Espanha, Japão e Brasil. Esta colaboração global uniu-se ao talento local, resultando num desfile de máscaras que envolveu músicos, atores e ranchos folclóricos, unindo tradição e modernidade.
“Manifest Trenčín 2026”: o ponto alto
O grande destaque de sábado foi o espetáculo multimédia ManifestTrenčín2026, na Praça da Paz (Mírové námestie). A produção combinou imagem, música e dança para homenagear a identidade da região. Entre os cabeças de cartaz estiveram nomes como Jana Kirschner e o coletivo artístico espanhol Sacude.
A luz também desempenhou um papel fundamental com as instalações “Zažni mesto” (Ilumina a Cidade), que redesenharam o espaço público ao cair da noite. Além disso, a arte contemporânea ocupou espaços invulgares, como passagens subterrâneas e o estádio de inverno, reforçando a ideia de que a cultura pertence a todos os lugares.
Comunidade e sustentabilidade
A herança têxtil da cidade não foi esquecida. Num gesto de hospitalidade, mulheres de comunidades vizinhas tricotaram chapéus e luvas para distribuir gratuitamente pelos visitantes. A sustentabilidade também esteve em foco com a inauguração do LUMó Hub, um novo espaço dedicado à moda sustentável, honrando o legado industrial de Trenčín.
“Vemos a Capital Europeia da Cultura não como um evento isolado, mas como um investimento a longo prazo na qualidade de vida da cidade”, afirmou Richard Rybníček, Presidente da Câmara de Trenčín.
O papel dos voluntários
O sucesso logística do evento deveu-se, em grande parte, às centenas de voluntários que garantiram o apoio aos visitantes e a gestão das instalações. Para a organização, eles são o “coração do projeto” e o rosto da hospitalidade eslovaca.
Com o fim de semana de abertura concluído, Trenčín afirma-se agora como um ponto de paragem obrigatório no mapa cultural europeu de 2026, prometendo um ano de diálogo, inovação e celebração das raízes locais num contexto global.
O toque português em Trenčín: arte e colaboração
A presença de Portugal no fim de semana de abertura não foi apenas simbólica, mas sim uma peça fundamental no diálogo artístico europeu que o projeto pretende promover.
- Visuais no Castelo de Trenčín: Um dos momentos de maior prestígio foi a instalação de artistas contemporâneos portugueses nas muralhas e salas históricas do Castelo de Artes Trenčín. Esta exposição permitiu um contraste fascinante entre a herança medieval da Eslováquia e a visão moderna da arte lusa.
- Intercâmbio de Experiências: Dado que Portugal tem uma vasta experiência com o título de Capital Europeia da Cultura (Lisboa 1994, Porto 2001, Guimarães 2012 e a futura Évora 2027), a delegação portuguesa em Trenčín funcionou também como um elo de partilha de boas práticas na gestão cultural e envolvimento comunitário.
- Música e Performance: Entre os milhares de intérpretes que percorreram as ruas no grande desfile de máscaras e nos palcos secundários, houve contributos de coletivos portugueses que trouxeram ritmos e estéticas da Europa do Sul, enriquecendo a diversidade sonora do evento.
Porquê esta colaboração?
A inclusão de Portugal reforça o lema de Trenčín 2026 de ser uma cidade “aberta ao mundo”. Para o público eslovaco, a participação portuguesa representou uma oportunidade rara de contactar com a produção artística nacional num contexto de celebração coletiva.
“A presença de países como Portugal demonstra que Trenčín é, em 2026, a capital de todos os europeus. Esta ponte entre o Atlântico e a Europa Central é o que dá sentido ao projeto,” destacou a organização durante o evento.
Destaque curioso: o têxtil e a moda
Sendo o LUMó Hub um dos pilares deste ano (focado na moda sustentável), houve um interesse particular no intercâmbio com o setor têxtil português, conhecido mundialmente pela sua qualidade e inovação. A participação portuguesa ajudou a traçar paralelos entre a tradição industrial de Trenčín e a modernização do setor em Portugal.
Destaque especial: o diálogo têxtil entre portugal e a Eslováquia
Um dos momentos mais enriquecedores da participação portuguesa foi a colaboração direta com o LUMó Hub, o novo centro de moda sustentável de Trenčín. Portugal, detentor de uma das indústrias têxteis mais fortes e inovadoras da Europa, serviu de inspiração e parceiro estratégico.
- A Instalação de “Arte Vestível”: Artistas portugueses apresentaram peças que fundem o design contemporâneo com técnicas ancestrais de tecelagem. Esta exposição, situada no icónico Castelo de Trenčín, criou um paralelo visual entre o rendilhado tradicional eslovaco e o design de vanguarda luso.
- Workshop de Sustentabilidade: Designers de Coimbra e do Porto (cidades com forte tradição académica e têxtil) dinamizaram sessões de upcycling, partilhando com os habitantes de Trenčín como transformar resíduos industriais em peças de alta-costura.
- A “Ligação Évora 2027”: Como Portugal se prepara para acolher a Capital Europeia da Cultura em Évora em 2027, a presença em Trenčín serviu também para lançar as bases de uma “ponte cultural” que unirá estas duas cidades ao longo dos próximos dois anos.
“A arte portuguesa trouxe uma luminosidade e uma textura únicas às ruas de Trenčín. Não foi apenas uma visita; foi o início de uma conversa sobre o futuro da moda e da identidade europeia,” explicou a curadoria do evento.
Edição e adaptação com IA de João Palmeiro com ECOCNews.

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