Os pobres trabalham para uma minoria superprivilegiada internacional.
Considero que pobres são todos aqueles que trabalham em qualquer país do mundo, bem ou mal, pouco ou muito, para se sustentarem a eles e à família, incluindo os pequenos empresários que se esforçam continuamente para sobreviverem.
Um trabalhador compra um carro e começa a pagar juros ao banco e o seguro à seguradora. A seguir compra casa e paga juros ao banco e também o seguro, para além de o construtor já ter pago juros dos empréstimos para construir a casa. Ora bem, para onde vão os pagamentos recebidos pelo banco e pela seguradora? Vão para os seus grandes acionistas na forma de lucros, e quem são eles? São os grandes grupos financeiros mundiais que os distribuem na forma de dividendos aos seus verdadeiros donos e altos salários aos funcionários, que no seu conjunto forma uma elite superprivilegiada ao nível mundial.
Mas o nosso trabalhador, que se desdobra em malabarismos económicos, também tem que comer, por isso vai às grandes superfícies comerciais proporcionar lucros aos grupos económicos que vão distribui-los à elite atrás mencionada. Mas as empresas de distribuição só têm muitos clientes porque ‘esmagam’ os preços no produtor e graças a técnicas de venda nem sempre claras e muito agressivas, exploram dessa forma os sectores produtivos.
Os pobres para irem trabalhar, vão no seu meio de transporte ou transporte público, “consomem” combustível fornecido pelas petrolíferas internacionais as quais pertencem aos grandes grupos financeiros.
Se alguém me perguntar: “Estás a pagar o apartamento a quem? estás a pagar o carro a quem? a quem pagas os juros do cartão de crédito? a quem pagas os seguros do carro e da casa? para quem são os lucros das agências de viagens? de quem são as empresas de transportes? de quem são os hipermercados onde fazes as compras?” Eu dir-lhe-ei que trabalho para uma teia de entidades intermediárias que são como as raízes de uma grande árvore cuja missão é sugarem nutrientes do solo e transporta-los para os frutos se desenvolverem. Neste caso são os ‘donos disto tudo’ mais a chusma de técnicos altamente especializados, e por isso muito bem pagos, que proporcionam o bom funcionamento da máquina que explora os Povos de todo o mundo.
O certo é que o mundo não seria como o conhecemos se não existisse esta grande superestrutura que domina tudo e todos independentemente dos regimes políticos.
O provérbio “O bocado não é para quem o faz, mas é para quem o engole” está certo.
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