Se procurássemos num dicionário, certamente o termo gratidão ou gratitude, seriam definidos como um sentimento ou emoção, positiva e como um modo de reconhecimento duma boa ação duma pessoa para outra.
E é verdade, de facto agradecemos quando alguém nos ajuda perante uma necessidade que nós temos.
Atualmente, muito se fala sobre o facto de ‘sermos gratos(as)’ e a influência que isso pode ter na criação dum estado de bem-estar mais favorável, assim como no nosso desenvolvimento pessoal, espiritual/ energético e de consciência.
Para mim, o termo gratidão e a emoção em si mesma, é poderosíssima, e sermos gratos(as) por tudo o que acontece na nossa vida, acredito ser um estado de consciência mais aberta, mais ativa e equilibrada, com o qual poderemos enfrentar mais facilmente os desafios da vida.
Há quem consiga até ser grato(a) por experiências menos boas, porque até dela aprendeu algo, ou conseguiu perceber qual a lição que dela podia retirar.
Há um ditado na minha terra que diz :“no hay mal que por bien no venga”, que em síntese, resume essa filosofia de vida onde, se acredita que nada é por acaso, e que no fim de contas, até aquilo que foi menos bom, acabou por deixar um aprendizado. Talvez nem que seja só para finalmente perceber o que é que não se quer, mesmo não sabendo o que é que se quer.
Faz sentido?
Para mim faz, pois já passei por algumas experiências onde o rumo da minha vida estava confuso, e era difícil de perceber o que queria, no entanto tentava diferentes vias para chegar a um fim minimamente promissor.
Nalguns casos foram experiências boas e outras nem tanto, porém, estas últimas fizeram com que ‘ajustasse’ meu percurso e aprendi que pelo menos por aí, não queria ir.
Então, porque não simplificar um pouco a vida e enchermos cada dia com momentos de plenitude? Que, pode ser sentida, por exemplo, através da gratidão pelo simples facto de termos a oportunidade de encontrar nos detalhes do dia a dia aquela alegria inocente de quando éramos crianças.
Agradecer pelo que temos, amamos e criamos, e também por aquelas reviravoltas que as vezes acontecem pois, ao meu ver, é um ato de humildade, porque elas mesmas poderão ser parte da mudança que tanto ambicionamos.
Talvez para elucidar-vos mais vou dar-vos um exemplo meu.
Dediquei alguns anos da minha vida a um trabalho que eu gostava muito, sentia-me muito bem executando aquela profissão, no entanto um dia o exercício desse trabalho entrou em ‘conflito’ com outros objetivos de vida e tive de tomar uma decisão muito difícil, e escolher qual ia deixar. Foi então que deixei o trabalho.
Após este episódio, durante muito tempo parecia que estava à deriva, saltitava de trabalho em trabalho, em nenhum estava confortável nem contente, ao ponto de deixar mesmo de trabalhar e ser-me diagnosticada uma depressão.
Nunca pensei que isso fosse possível de me acontecer, mas aconteceu. Quando finalmente recuperei, vi com outros olhos as minhas prioridades, e embora não tivesse muito certo o que queria fazer da minha vida, havia umas quantas certezas do que é que, definitivamente, não queria.
Hoje em dia, e já tendo passado algum tempo, consigo ser grata por tudo isso que me aconteceu, pois assim pude pôr alguns ‘pontos nos is’ a mim mesma.
E reconheço a importância que estes episódios, assim, como tantos outros, tiveram na minha evolução e crescimento não só psicológico, senão também afetivo e espiritual.
É por isso que acredito no poder que a gratidão pode ter sobre a nossa mudança de perspetiva e prioridades, fornecendo-nos a chance de evoluirmos na nossa jornada.
Ser gratos(as), sentir e manifestar gratidão, é algo que podemos alimentar e cultivar diariamente, pois é dos sentimentos mais plenos e positivos que podemos sentir, quando realmente vem de dentro, do coração, da alma, da energia que nos nutre e nos impulsiona para o melhor de nós.
Sentirmos e praticarmos essa gratidão regularmente influenciará a nossa energia vital, a nossa vibração na conexão connosco e com os(as) outros(as) que nos rodeiam.
O nosso olhar sobre o mundo e sobre nós muda.
Cada um(a) tem o seu percurso, a sua forma e visão sobre a vida e aquilo que deseja fazer com ela, eu só sei aquilo que a mim compete e partilho desde aqui a minha experiência, a minha interpretação do que tenho vivido, no intuito de que a vida possa ser vivida mais levemente, mais livremente por todos(as) e cada um(a).
Gratidão!
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