A venda de até 49,9% da TAP deverá ficar concluída em julho, segundo indicou o ministro das Infraestruturas, num processo que fixa 2 de abril como data limite para a entrega de propostas ao Governo. A companhia aérea portuguesa está avaliada entre 1,4 e 1,6 mil milhões de euros, num dossiê que envolve três grandes grupos europeus do setor.
De acordo com a SIC Notícias, os interessados Air France KLM, Lufthansa e IAG já se reuniram com os administradores da transportadora aérea portuguesa, numa fase preliminar que antecede a formalização das propostas.
Um valor bem abaixo do investimento público
A avaliação independente revelada aponta para um valor máximo de 1.600 milhões de euros. Segundo a mesma fonte, a estimativa situa a empresa entre 1,4 e 1,6 mil milhões de euros. Escreve o jornal que este montante fica bastante abaixo dos mais de 3 mil milhões de euros que o Estado injetou na companhia nos últimos anos, no âmbito do processo de reestruturação.
As ofertas têm de ser entregues ao Governo até 2 de abril. Conforme a mesma fonte, o ministro das Infraestruturas espera anunciar o vencedor da privatização em julho, encerrando assim um dos processos mais relevantes do setor empresarial do Estado.
Acrescenta a publicação que o comprador terá de apresentar compromissos claros quanto à manutenção do hub em Lisboa, ao montante a pagar e à estratégia de crescimento da companhia nos próximos anos.
Interesse declarado da Air France
No dia em que apresentou resultados anuais, a Air France confirmou que está a preparar uma oferta não vinculativa pela transportadora portuguesa. Segundo a mesma fonte, o grupo franco neerlandês assume que vê na TAP um ativo estratégico.
Steven Zaat, administrador financeiro do grupo, afirmou que “no final, tudo se resume ao que eles querem, com o que se sentem confortáveis e com o que nós nos sentimos confortáveis na nossa abordagem conjunta. A TAP pode ter um lugar central no grupo”.
Brasil no centro da estratégia
O Brasil é apontado como o principal ativo da companhia aérea portuguesa. Refere a mesma fonte que as rotas para a América do Sul, em particular as ligações ao mercado brasileiro, são vistas como o maior trunfo no processo de privatização.
O responsável da Air France sublinhou ainda que “viram a margem da TAP nos últimos anos. Portanto, digamos que essa não é a nossa preocupação. São um bom player na América do Sul. Ter um ponto de entrada na América Latina a partir da Península Ibérica, estrategicamente, seria ótimo para nós”.
Resultados reforçam ambição
A apresentação de resultados da Air France coincidiu com o avanço do processo da TAP. De acordo com a SIC Notícias, o grupo registou lucros de 1.750 milhões de euros em 2025.
Os três candidatos terão agora de formalizar propostas que respondam às exigências do Executivo, num processo que deverá ficar fechado em julho. Até lá, o valor da companhia, o peso das rotas sul americanas e o futuro do hub de Lisboa estarão no centro das negociações.
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