Milhares de dadores de sangue em Portugal vão começar a receber mensagens por SMS e correio eletrónico com informação clínica relevante, numa decisão que surge na sequência de uma reunião entre a Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (Fepobades) e a secretária de Estado da Saúde. A medida integra um conjunto mais amplo de alterações destinadas a travar a quebra no número de dadores registada nos últimos anos.
A decisão inclui também o alargamento da idade máxima para a dádiva de sangue até aos 70 anos, alterando um limite que durante décadas se fixou nos 65, com impacto direto no universo potencial de dadores ativos em todo o país.
De acordo com a SIC Notícias, o presidente da Fepobades, Alberto Mota, confirmou que os dadores passarão a receber SMS e emails com os resultados das análises efetuadas após cada dádiva, uma prática que não estava generalizada no sistema nacional.
Segundo a mesma fonte, a federação considera que esta comunicação direta reforça a transparência do processo e contribui para uma maior fidelização dos dadores regulares.
Idade alargada até aos 70 anos
A mesma reunião com a tutela confirmou a extensão da idade máxima para a dádiva de sangue até aos 70 anos. Escreve a publicação que esta alteração já entrou em vigor no início do ano, após avaliação técnica das condições de segurança clínica.
Até agora, a legislação permitia a dádiva apenas entre os 18 e os 65 anos, limite que, conforme a mesma fonte, afastava um número significativo de dadores experientes e clinicamente aptos.
Resposta à perda contínua de dadores
“Estamos a perder dadores todos os anos”, afirmou Alberto Mota, em declarações citadas pela mesma fonte, sublinhando que o alargamento da idade representa uma forma de atenuar essa tendência. O responsável estima que a medida possa permitir a entrada ou manutenção de algumas centenas de dadores adicionais ao longo dos próximos cinco anos, refere a mesma fonte.
Outra alteração anunciada passa pela disponibilização de questionários online para os dadores mais jovens, uma solução que visa acelerar o processo de colheita nos centros e hospitais. Acrescenta a publicação que esta ferramenta permitirá reduzir tempos de espera e otimizar os recursos disponíveis.
A federação considera que a modernização dos procedimentos é essencial para responder às expectativas das novas gerações de dadores, mantendo a adesão ao longo do tempo.
Aplicação desigual das normas
Alberto Mota recordou ainda que algumas regras em vigor demoraram anos a ser aplicadas no terreno. Desde 2015 é permitido que jovens de 17 anos, acompanhados por um tutor, possam dar sangue, mas essa possibilidade só começou a ser cumprida de forma consistente há poucos meses. A Fepobades garante que irá sinalizar à tutela quaisquer situações em que não seja respeitado o novo limite de idade até aos 70 anos.
A federação voltou também a alertar para a escassez de profissionais nos Centros de Sangue e da Transplantação do IPST no Porto, Coimbra e Lisboa. Conforme a SIC Notícias, esta limitação tem levado, em alguns casos, ao cancelamento de colheitas.
O Ministério da Saúde assegurou que existem vagas autorizadas e que o seu preenchimento é prioritário, tendo a secretária de Estado manifestado disponibilidade para manter o diálogo e garantir reservas de sangue estáveis em todo o país.
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