Fevereiro continua marcado por forte instabilidade meteorológica em Portugal continental e nos Açores. A partir de terça-feira, dia 3, uma nova frente associada à tempestade Leonardo e reforçada por um rio atmosférico deverá provocar chuva persistente, por vezes intensa, vento forte e queda de neve em vários distritos, com os efeitos mais significativos previstos entre a noite de terça e a madrugada de quarta-feira.
A tempestade Leonardo foi nomeada esta segunda-feira pelo IPMA, através da sua delegação regional dos Açores, sendo a 12.ª depressão atlântica de grande impacto da temporada 2025/2026.
O sistema encontra-se atualmente a sul da Terra Nova, mas deverá deslocar-se rapidamente para leste, influenciando o estado do tempo em Portugal ainda antes de atingir o arquipélago açoriano.
De acordo com o site Meteored, especializado em meteorologia, embora o núcleo principal da depressão afete os Açores sobretudo a partir de quarta-feira, os seus impactos no Continente começarão mais cedo devido a uma extensa frente fria associada.
Essa frente será intensificada por um rio atmosférico rico em vapor de água, o que aumenta o potencial de precipitação acumulada em curtos períodos de tempo.
Açores com vento forte e agitação marítima significativa
Nos Açores, os efeitos mais severos estão previstos para quarta-feira. Segundo a mesma fonte, espera-se um aumento acentuado da intensidade do vento, com rajadas até 110 km/h nos Grupos Ocidental e Central e até 100 km/h no Grupo Oriental.
A agitação marítima deverá igualmente agravar-se, com ondas de cerca de 10 metros de altura significativa no Grupo Ocidental, podendo a altura máxima atingir valores próximos dos 19 metros.
Já se encontram ativos avisos meteorológicos para o arquipélago, incluindo aviso vermelho de agitação marítima no Grupo Ocidental e aviso laranja de vento nos Grupos Ocidental e Central.
Frente fria entra no Continente a partir de terça-feira
Em Portugal continental, o início da semana ainda será marcado por aguaceiros intermitentes e períodos de abertas, sob a influência de um sistema de baixas pressões localizado a oeste-sudoeste das Ilhas Britânicas. Este padrão deverá manter-se até ao início da tarde de terça-feira.
A partir do meio da tarde de terça e, sobretudo, durante a noite, a frente fria associada à tempestade Leonardo deverá atravessar o território continental de sul para norte.
Segundo explica a publicação, a chuva será generalizada, persistente e por vezes forte, sendo reforçada pelo rio atmosférico proveniente da região das Caraíbas.
O período mais crítico da precipitação deverá ocorrer entre o final de terça-feira e a madrugada de quarta-feira. Durante a manhã de quarta, a instabilidade poderá aliviar temporariamente na região Centro, passando a um regime pós-frontal. No Norte e no Sul, a precipitação deverá manter-se, com poucos intervalos de melhoria.
Acumulados elevados e risco de cheias
Até ao final de quarta-feira, as zonas mais afetadas pela chuva deverão ser os distritos de Viana do Castelo e Braga, bem como áreas ocidentais de Vila Real e Viseu, além dos distritos do Porto e Aveiro. De acordo com o Meteored, o litoral alentejano e o Barlavento Algarvio também poderão registar acumulados elevados.
Nestas regiões, a precipitação acumulada poderá ultrapassar os 100 mm e, localmente, atingir os 150 mm. No restante território continental, os valores previstos situam-se entre 30 e 90 mm. Num contexto de solos já saturados, aumenta o risco de cheias, inundações rápidas e galgamentos de margens de rios.
Neve acima dos 800 metros e vento a intensificar-se
A precipitação deverá cair sob a forma de neve acima dos 800 metros de altitude, com acumulações superiores a 15 cm acima dos 1000 a 1200 metros. Nos pontos mais elevados das serras do Noroeste e da Serra da Estrela, poderá ocorrer acumulação próxima dos 30 cm.
Estão já em vigor vários avisos meteorológicos relacionados com queda de neve, vento e agitação marítima.
Segundo a mesma fonte, mantém-se ainda alguma incerteza quanto à intensidade do vento previsto para quinta-feira, dia 5, quando poderá ocorrer um novo agravamento, com rajadas entre 70 e 100 km/h nas zonas mais expostas, sobretudo nas terras altas do Norte.
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