O atual cenário de instabilidade atmosférica que afeta o território continental está longe de ser um episódio isolado. Quem pensava que a passagem da depressão Ingrid marcaria o fim do mau tempo poderá ser surpreendido por um agravamento das condições meteorológicas nos próximos dias. Um fenómeno de grande escala que ocorre em altitude está a ganhar velocidade e promete encaminhar uma sucessão de novas perturbações atlânticas diretamente para a Península Ibérica.
Esta previsão foi feita tendo em conta um jato polar que vai circular a velocidades impressionantes, impulsionando o que os meteorologistas da Meteored, portal especializado em previsões meteorológicas, classificam como um “comboio” de tempestades. Este fluxo de ar em altitude poderá rondar os 300 quilómetros por hora nas proximidades de Portugal continental.
A elevada velocidade desta corrente, situada a cerca de nove mil metros de altitude, é consequência de um forte gradiente térmico sobre o oceano. Indica a mesma fonte que esta configuração vai favorecer o desenvolvimento rápido de tempestades violentas que afetarão a Europa Ocidental e Meridional já a partir do início da próxima semana.
Ventos com força de vendaval
A consequência mais imediata desta circulação atmosférica será a intensificação do vento à superfície. Para a semana de 26 de janeiro a 1 de fevereiro, o cenário aponta para a ocorrência de vários temporais significativos, com os centros das depressões a passarem a norte do território nacional.
Explica a referida fonte que o vento soprará predominantemente de Oeste, com rajadas que podem ser perigosas. Prevê-se que a força do vento atinja facilmente os 70 a 90 quilómetros por hora na faixa costeira ocidental, podendo superar os 100 quilómetros por hora nas terras altas.
Existe ainda a possibilidade de as rajadas serem mais intensas caso alguma das tempestades se desvie da rota prevista e circule mais a sul. A população deve estar atenta aos avisos da proteção civil e garantir a fixação de estruturas soltas.
Chuva abundante e neve nas serras
O transporte de massas de ar húmido do Atlântico garantirá que a precipitação seja uma constante de norte a sul do país. A chuva será mais forte e frequente nas regiões a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, mas as frentes ativas alcançarão também o Alentejo e o Algarve, regiões habitualmente menos regadas.
No que toca à neve, esperam-se novos episódios com fortes oscilações nas cotas devido à variação de temperatura. Os mapas atuais apontam para a queda de neve acima dos 700 a 800 metros de altitude nas serras do Norte e Centro, especialmente entre o final de terça e a quarta-feira.
Risco de cheias rápidas
A combinação de chuva persistente com os ciclos de gelo e degelo na montanha cria um cenário propício a inundações. O aumento considerável dos caudais dos rios pode potenciar cheias rápidas nas margens e zonas adjacentes, agravadas pela saturação dos solos que já não conseguem absorver mais água.
Explica ainda o Meteored que os arquipélagos não escaparão a esta dinâmica, com os Açores a enfrentarem ventos muito fortes e chuva intensa no início da semana. A Madeira terá um tempo mais variável, mas o vento far-se-á sentir com intensidade nas regiões montanhosas das ilhas.
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