A semana de 26 deste mês a 1 de fevereiro ficará marcada por um padrão atmosférico altamente instável, com a passagem sucessiva de várias perturbações atlânticas, um jato polar muito ativo e ondulado e um corredor atlântico totalmente aberto, criando condições para precipitação intensa, persistente e generalizada em grande parte do território português.
Em largos anos de análise de previsões meteorológicas, raramente se observa um consenso tão elevado entre os principais modelos num cenário de chuva tão intensa e prolongada. Os acumulados previstos são excecionais, sobretudo no Norte e Centro do país, onde poderão cair entre 200 e 400 litros por metro quadrado ao longo da semana, valores muito superiores à média mensal de janeiro.
Este volume de precipitação ultrapassa largamente o total já registado desde o início do mês e coloca uma pressão significativa sobre solos já saturados, aumentando de forma clara o risco de inundações, cheias rápidas, derrocadas e fortes transtornos à circulação rodoviária e à atividade quotidiana, de acordo com o portal especializado em meteorologia Luso Meteo.
A Proteção Civil já ativou o plano de emergência de cheias na bacia do Tejo, sendo expectável que outras bacias hidrográficas sigam o mesmo caminho. No Mondego, por exemplo, têm sido realizadas descargas preventivas para tentar acomodar a grande quantidade de água prevista.
Portugal Continental com chuva muito acima da média
Em Portugal continental prevê-se precipitação muito acima do normal, com uma anomalia superior a 200% no Norte e Centro e valores próximos disso na região Sul. Este cenário pode fazer diversos cenários agravarem-se, uma vez que aumenta substancialmente o risco de inundações urbanas, cheias nos principais rios e instabilidade de encostas.
O vento soprará por vezes forte, alternando entre os quadrantes sudoeste e noroeste, com potencial para rajadas entre 90 e 110 km/h, sobretudo em zonas costeiras e terras altas. O estado do mar será frequentemente adverso, com agitação marítima significativa ao longo da semana. As temperaturas oscilarão bastante. Apesar de a anomalia térmica semanal ser globalmente positiva, haverá descidas bruscas associadas à passagem das frentes, com possibilidade de queda de neve nos pontos mais elevados, especialmente no Norte e Centro.
Previsão detalhada para o Continente
Na terça-feira, a chuva deverá dar lugar a aguaceiros, com descida da cota de neve durante a tarde. Está previsto novo nevão, em geral acima dos 800 a 900 metros de altitude, embora de menor duração. O vento continuará muito forte e o mar permanecerá agitado.
Entre quarta e quinta-feira, a chuva regressa de forma significativa, com alguns períodos de abertas temporárias, sobretudo na manhã de quarta-feira e no início da quinta. O agravamento do estado do tempo deverá ocorrer durante a noite e madrugada de quarta para quinta, novamente com muita chuva e vento, de acordo com a mesma fonte.
Entre sexta-feira e sábado é expectável a passagem de mais um sistema frontal de atividade moderada a forte, trazendo nova fase de chuva intensa, vento forte, mar agitado e descida das temperaturas. No dia 31 poderá voltar a nevar, embora apenas em altitudes mais elevadas, possivelmente acima dos 1000 a 1200 metros. O fim de semana deverá manter-se instável, com probabilidade de chuva, embora não se exclua uma intrusão temporária de uma crista anticiclónica que possa proporcionar curtos períodos de abertas.
Açores com tempo instável e mar agitado
Nos Açores, após um período relativamente estável, verifica-se uma viragem no estado do tempo. A semana será marcada por vento forte, chuva frequente, descida das temperaturas e mar muito agitado. Ao longo da semana, os aguaceiros serão frequentes, com oscilações térmicas significativas associadas à rotação do vento entre oeste, noroeste e sudoeste. Apesar do tempo adverso, para já não se antecipam situações de risco extremo, com acumulados de precipitação dentro do normal para a época.
Madeira com cenário mais estável
Na Madeira, a situação será bastante diferente. A precipitação prevista é reduzida e, a ocorrer, será ocasional. O arquipélago deverá manter um padrão semelhante ao das últimas semanas, com tempo globalmente estável. O tempo deverá manter-se seco, com vento moderado e mar relativamente calmo.
A tendência aponta para precipitação normal a abaixo do normal na Madeira ao longo da semana, embora exista alguma incerteza que será acompanhada nos próximos dias, de acordo com a fonte anteriormente citada.
E depois desta semana, mais tempestades?
As perspetivas para o início de fevereiro continuam pouco animadoras. Os modelos apontam para um regime de NAO negativo, com o anticiclone afastado para latitudes elevadas, favorecendo a continuação da instabilidade no Atlântico e a chegada de mais sistemas frontais a Portugal. Este padrão atmosférico é consistente com um Ártico mais quente, frio intenso nos Estados Unidos, Rússia e Escandinávia e um corredor atlântico ativo sobre a Europa Ocidental, criando condições favoráveis à continuação da chuva no nosso território.
O risco de cheias mantém-se elevado e a preocupação aumenta à medida que as previsões não mostram melhorias significativas. Existem sinais ténues de mudança apenas para a segunda semana de fevereiro, associados à possível entrada da MJO na fase 8, mas essa evolução é ainda incerta e poderá demorar dias ou semanas a refletir-se, de acordo com o Luso Meteo.
Até lá, será fundamental acompanhar de perto as previsões, cumprir as recomendações das autoridades e adotar comportamentos preventivos, num período que poderá revelar-se particularmente exigente para Portugal.















