As reservas de sangue do tipo B- atingiram níveis críticos em Portugal, levando a Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) a emitirem um apelo público para doações imediatas. De acordo com o jornal Correio da Manhã, o alerta foi lançado esta segunda-feira, 10 de novembro, depois de o sistema de monitorização nacional ter classificado o tipo B- com o nível “dê já”, sinalizando uma rutura iminente nas reservas.
Segundo a mesma fonte, o tipo 0+ também se encontra sob aviso laranja, com reservas que apenas garantem a resposta hospitalar por um a dois dias. Já os tipos 0- e A- apresentam uma margem ligeiramente superior, entre três a cinco dias de disponibilidade, mas ainda assim abaixo do nível considerado seguro.
Escreve o jornal que o Algarve é, neste momento, a região com maior carência. O SNS identifica os tipos AB- e B- sob aviso vermelho, o que levou à emissão de um apelo direto aos dadores para que façam a sua dádiva o mais rapidamente possível. Ainda conforme a mesma fonte, os tipos A+ e B+ estão classificados com aviso amarelo, o que indica a necessidade de reposição no prazo máximo de cinco dias.
“Dar sangue é dar vida”
Acrescenta a publicação que a DGS reforçou a mensagem através das redes sociais, apelando à mobilização de todos os dadores habituais e de novos voluntários.
“Dar sangue é dar vida. Dê o seu contributo para ajudar quem mais precisa. Amanhã podemos ser nós, ou a nossa família, a precisar. É a melhor parte de si!”, recorda a autoridade de saúde.
Refere o Correio da Manhã que esta escassez ocorre numa altura em que as reservas nacionais tendem a diminuir devido à sazonalidade das dádivas e à maior pressão hospitalar. O IPST tem reiterado que a estabilidade das reservas depende da regularidade das doações ao longo de todo o ano.
Importância do tipo sanguíneo
De acordo com o site do Hospital da Luz, o sangue humano é classificado segundo o sistema ABO, dividido em quatro grupos principais: A, B, AB e O. Cada tipo possui antigénios e anticorpos específicos que determinam a compatibilidade em transfusões. O tipo B, por exemplo, contém antigénios B nos glóbulos vermelhos e anticorpos anti-A no plasma.
Explica o mesmo site que, além desta classificação, existe o fator Rhesus (Rh), que pode ser positivo ou negativo. Assim, o sangue tipo B pode ser B+ ou B-, sendo este último o mais raro e, por isso, o mais afetado em situações de escassez.
Compatibilidade e urgência nas doações
Conforme a mesma fonte, as transfusões só são seguras quando há compatibilidade entre o sangue do dador e o do recetor. As pessoas com sangue do tipo B apenas podem receber sangue dos tipos B e O, o que limita o número de potenciais dadores. Por outro lado, as pessoas com tipo O são consideradas dadoras universais, podendo doar a qualquer grupo sanguíneo.
O mesmo portal acrescenta ainda que os portadores de sangue Rh- só podem receber transfusões de sangue igualmente Rh-, o que torna o tipo B- particularmente vulnerável a ruturas de stock.
Gesto simples com impacto vital
O apelo das autoridades de saúde sublinha a importância de cada dádiva, sobretudo dos grupos menos comuns. A DGS lembra que doar sangue é um procedimento seguro, gratuito e que pode salvar várias vidas em contexto hospitalar. A reposição das reservas é, segundo o IPST, essencial para garantir a continuidade de cirurgias, tratamentos oncológicos e emergências médicas.
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