As medidas para controlar o turismo começaram por ser discretas, mas tornaram-se, nos últimos anos, mais apertadas. Foi a partir de junho de 2022 que aqueles que desejavam visitar esta ilha portuguesa passaram a precisar de uma licença especial, obtida online, para além de ser exigido o pagamento de uma taxa turística. A entrada é limitada e o ecossistema é protegido com regras rígidas.
Trata-se da Berlenga Grande, a maior ilha do arquipélago das Berlengas, localizada a cerca de 15 quilómetros da costa de Peniche. Desde 2011 que as Berlengas fazem parte da Reserva Mundial da Biosfera da UNESCO e, devido à sua fragilidade ambiental, o acesso é condicionado.
Licença obrigatória para desembarcar
De acordo com o portal De Férias, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas lançou a plataforma “BerlengasPass” para gerir o número de visitantes. A partir de 1 de junho de 2022, todos os turistas passaram a ter de obter uma licença digital antes de visitar a ilha.
Segundo a mesma fonte, o registo é obrigatório e deve ser apresentado no momento do embarque em Peniche, local de onde partem os barcos rumo à ilha. A medida pretende garantir o cumprimento do limite diário de visitantes, estabelecido em 550 pessoas.
Taxa turística ajuda na manutenção
Outra regra recente é a cobrança de uma taxa turística no valor de três euros por visitante. Escreve o site De Férias que este valor reverte a favor da melhoria da infraestrutura local, afetada pelo crescente número de turistas nos últimos anos.
Refere a mesma fonte que há descontos aplicáveis a visitantes com idades entre os seis e os dezoito anos e para quem tem mais de 65 anos, que pagam apenas metade do valor.
Como chegar às Berlengas
Para visitar a Berlenga Grande é necessário apanhar um barco na Marina de Peniche. Explica o jornal 20 Minutos que o percurso até à ilha dura cerca de 30 minutos e pode ser feito em excursão organizada ou em transporte independente.
Conforme a mesma fonte, algumas excursões incluem guias em inglês e visitas às grutas da ilha, como a Gruta Azul e a Gruta de São João Baptista, num barco com fundo de vidro.
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O que fazer e ver na ilha
A Berlenga Grande é a única ilha do arquipélago que pode ser visitada. Acrescenta a publicação 20 Minutos que além das caminhadas pelos trilhos da ilha, é possível praticar snorkeling, observação de aves e até mergulho.
A fauna marinha é rica e a cor da água, predominantemente verde-esmeralda, é uma das grandes atrações do local. Não há árvores, apenas vegetação rasteira, o que contribui para a preservação do habitat natural.
História e património construído
Segundo o Turismo do Centro de Portugal, a ilha acolhe um dos edifícios históricos mais emblemáticos da costa portuguesa: o Forte de São João Baptista. Construído no século XVII, foi restaurado na década de 1950 e atualmente funciona como casa-abrigo.
Sublinha a mesma fonte que este forte, ligado à ilha por uma ponte, foi originalmente construído para proteger a costa dos ataques de piratas. Hoje oferece uma experiência de alojamento em plena reserva natural, com vista sobre o oceano.
Uma pequena comunidade
Além do forte, existe também um pequeno núcleo habitacional. Explica o Turismo do Centro de Portugal que a primeira casa foi construída nos anos 40 por um comandante do porto de Peniche. Hoje, o conjunto é composto por 20 habitações, na sua maioria pertencentes a pescadores.
Estas casas substituíram antigas covas nas rochas, onde os primeiros habitantes procuravam abrigo. Conforme a mesma fonte, são agora o único núcleo habitacional permanente da Reserva Natural das Berlengas.
Um património com proteção centenária
O valor ecológico das Berlengas é reconhecido há séculos. Desde 1465, quando D. Afonso V proibiu a caça na ilha, que se procura proteger este ecossistema. De acordo com o Turismo do Centro de Portugal, este arquipélago granítico é considerado a primeira área protegida do país.
A confluência dos climas atlântico e mediterrânico criou uma biodiversidade rara, tanto na fauna como na flora. Segundo o mesmo organismo, a Reserva Natural das Berlengas foi oficialmente criada há mais de três décadas.
















