A Ryanair vai deixar de operar nos Açores a partir do final de março, numa decisão que marca uma mudança relevante na presença da companhia aérea irlandesa em Portugal e que tem impacto direto na mobilidade aérea do arquipélago. A saída das ligações para Ponta Delgada é apresentada pela empresa como uma consequência direta dos impostos ambientais e das taxas aplicadas à operação.
De acordo com a a agência de notícias Lusa, o presidente executivo da Ryanair, Michael O’Leary, confirmou que a transportadora deixará de voar para os Açores a partir de 29 de março, sublinhando que a operação deixou de ser competitiva face a outras rotas disponíveis no mercado europeu.
Fim das ligações ao arquipélago
A decisão implica o cancelamento das seis rotas que a companhia atualmente mantém nos Açores. Segundo a mesma fonte, O’Leary afirma que as taxas ambientais da União Europeia tornam a operação não lucrativa, afastando a companhia da região pelo menos durante este ano.
Em resposta à agência noticiosa, a Ryanair reforçou que não prevê regressar aos Açores enquanto se mantiverem os atuais encargos, apontando também para as taxas aeroportuárias praticadas pela ANA Aeroportos como um fator adicional de desinvestimento.
Críticas às taxas e ao Governo
O CEO da Ryanair sustenta que Portugal seguiu um caminho oposto ao de outros países europeus. Acrescenta a mesma fonte que o gestor critica o aumento das taxas de navegação aérea em mais de 120% após a pandemia e a introdução de uma taxa de viagem de dois euros.
A companhia defende que estas medidas penalizam regiões periféricas, como os Açores, desviando investimento para mercados onde os custos operacionais estão a ser reduzidos para estimular o tráfego aéreo.
Saída que já era esperada
O impacto da decisão foi comentado por responsáveis empresariais da região. De acordo com a Lusa, o presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo, Marcos Couto, considera que a saída da Ryanair era previsível há vários anos.
O dirigente lembra que a companhia já tinha reduzido em 75% a sua operação nos Açores há cerca de três anos. Refere a mesma fonte que a região não se preparou para essa redução progressiva, o que torna agora o impacto mais evidente.
Divergências sobre as causas reais
Nem todos concordam com a justificação apresentada pela transportadora. Segundo o jornal Expresso, o presidente da associação empresarial que representa as ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa considera falaciosa a argumentação baseada nas taxas aeroportuárias.
O responsável sublinha que o Aeroporto das Lajes é gerido pelo Governo Regional e pratica taxas inferiores às restantes infraestruturas nacionais. Conforme a mesma fonte, o problema estará antes na estratégia global da Ryanair, que penaliza os Açores enquanto mercado mais frágil na sua reorganização internacional.
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