O peso dos trabalhadores estrangeiros na Segurança Social aumentou de forma acentuada na última década, tanto no número de contribuintes como no montante entregue. Em dezembro de 2025 havia cerca de 840 mil pessoas de nacionalidade estrangeira a descontar, um valor mais de cinco vezes superior ao registado dez anos antes, quando eram pouco mais de 156 mil. No mesmo período, o total das contribuições passou de 491 milhões de euros para 4.162 milhões.
De acordo com o Notícias ao Minuto, que cita dados oficiais da Segurança Social agora disponibilizados online, os estrangeiros representavam no final do ano passado 17,6% de todos os contribuintes, quando em 2015 tinham um peso de 4,5%.
Setores com maior presença
O crescimento tem sido acompanhado por uma maior presença em vários setores de atividade, com destaque absoluto para o alojamento e restauração, onde trabalhavam 129 mil pessoas, seguido das atividades administrativas e de apoio e da construção.
Apesar disso, é na agricultura, floresta e pesca que a proporção é mais elevada. Neste setor, quatro em cada dez trabalhadores são estrangeiros, o que corresponde a 41% do total. A maioria dos contribuintes tem entre 30 e 39 anos e cerca de seis em cada dez são homens.
Nacionalidades predominantes
Por nacionalidades, os cidadãos do Brasil formam o maior grupo, com cerca de 309 mil contribuintes. Seguem-se os da Índia, com 58 mil, e os de Angola, com 54 mil. Entre os beneficiários de prestações, o padrão repete-se, embora com números mais baixos.
No final de 2025 havia 213 mil estrangeiros a receber algum tipo de apoio, mais do triplo dos cerca de 61 mil registados em 2015. Os brasileiros lideravam também neste indicador, seguidos por angolanos e cidadãos de Cabo Verde.
Contribuições superam prestações
O aumento do número de beneficiários foi acompanhado por uma subida do valor das prestações pagas, que passou de 137 milhões de euros para 827 milhões em dez anos. Ainda assim, o montante das contribuições continua a superar largamente o dos apoios recebidos. A diferença é positiva e corresponde a um rácio de cerca de cinco euros pagos por cada euro recebido.
O peso relativo destas prestações no total do sistema também cresceu, de 3,5% para 11,4%. No mesmo período, a fatia das contribuições dos estrangeiros no conjunto das receitas da Segurança Social subiu de 3,5% para 14%, refletindo o aumento do emprego e da base contributiva.
Divulgação mensal dos dados
Os dados passam a ser divulgados com periodicidade mensal e incluem informação anual, numa tentativa de dar maior transparência ao sistema.
Segundo o Notícias ao Minuto, a decisão responde a pedidos recorrentes de informação e pretende reforçar a literacia pública sobre o funcionamento da protecção social.
A secretária de Estado da Segurança Social, Filipa Lima, reconhece que a divulgação pode suscitar leituras divergentes, mas defende que a apresentação de números de forma sistemática permite um debate mais informado. A governante sublinha que, no balanço global, as contribuições dos trabalhadores estrangeiros continuam a exceder as prestações que recebem, contribuindo para o financiamento do sistema.
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