Portugal é um país admirado por muitas qualidades, mas há comportamentos do dia a dia que persistem e que, embora aparentemente inofensivos, dizem muito sobre a forma como vivemos em sociedade. São maus hábitos, muitas vezes inconscientes, que continuam a marcar o nosso quotidiano.
De acordo com o Público, um estudo evidenciou que certas atitudes, ainda bastante comuns, têm sido identificadas por especialistas como reflexo de uma cultura permissiva e pouco exigente. Entre os dados recolhidos, destaca-se a discrepância entre aquilo que os cidadãos dizem fazer e aquilo que realmente praticam.
Atrasos que se tornaram norma
A pontualidade continua a não ser uma prioridade para muitos portugueses. Apesar de a maioria afirmar cumprir horários, mais de metade das reuniões de trabalho no país começam com atraso. Esta prática tem sido amplamente tolerada, mesmo em contextos formais, como o ambiente profissional.
Embora a pontualidade seja frequentemente considerada um valor importante, ela tende a ser exigida apenas dos outros. A tolerância a pequenos atrasos tornou-se culturalmente aceite e raramente é interpretada como falta de respeito, o que contribui para a sua repetição.
Também em situações sociais, como jantares ou encontros, o atraso tornou-se um hábito esperado e raramente criticado. Esta prática alimenta um ciclo difícil de quebrar, em que todos acabam por ceder ao mesmo padrão.
Comer nem sempre é cuidar
Apesar da valorização da gastronomia nacional e da tradição mediterrânica, a alimentação dos portugueses nem sempre segue padrões saudáveis. O consumo elevado de carnes, sal e alimentos processados continua presente em grande parte da população.
Frutas, legumes e fibras são frequentemente negligenciados, o que leva a desequilíbrios nutricionais. Estes hábitos alimentares têm impacto directo na saúde pública, com implicações que vão desde o excesso de peso até doenças crónicas, como a hipertensão ou a diabetes.
Segundo a mesma fonte, a qualidade da alimentação em Portugal está longe de ser ideal, com repercussões visíveis nos indicadores de saúde. A normalização de certos ingredientes e refeições rápidas leva muitas vezes à perda de consciência sobre os efeitos a longo prazo.
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Não cumprir ‘algumas’ regras
Outro comportamento recorrente prende-se com a forma como muitos portugueses lidam com as regras do espaço público. Seja atravessar fora da passadeira, deixar lixo em locais impróprios ou parar em segunda fila, são gestos repetidos que, somados, revelam um padrão preocupante.
A desvalorização destas pequenas infrações alimenta a ideia de que certas normas podem ser ignoradas sem consequências. No trânsito, por exemplo, continuam a ser visíveis situações de perigo associadas a excesso de velocidade, falta de sinalização ou incumprimento de prioridades.
Estes comportamentos não são isolados. Como observa a mesma fonte, o incumprimento das regras é frequentemente atribuído aos outros, mas raramente assumido como parte da rotina pessoal.
Um espelho difícil de encarar
A percepção generalizada é a de que os maus hábitos são praticados pelos outros. Esta visão contribui para a resistência à mudança e dificulta qualquer esforço de correção. As pessoas tendem a subestimar o impacto dos seus próprios comportamentos e a sobrevalorizar os dos outros.
Mesmo quando confrontados com dados objetivos, muitos continuam a rejeitar a possibilidade de serem parte do problema. Esta recusa em assumir responsabilidade individual é um dos obstáculos mais persistentes à melhoria de certas atitudes colectivas.
De acordo com o Público, só quando houver um reconhecimento generalizado destes padrões poderá surgir uma verdadeira mudança. Enquanto isso não acontecer, os maus hábitos continuarão a repetir-se, muitas vezes, sem sequer nos darmos conta.
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