Os depósitos a prazo continuam a concentrar a maior parte das poupanças das famílias portuguesas, mas a diferença entre os juros pagos pelos bancos e a inflação está a provocar uma perda real de valor ao longo do tempo. Apesar de os saldos bancários indicarem crescimento, o poder de compra dessas poupanças tem vindo a diminuir de forma persistente, criando um fenómeno que passa muitas vezes despercebido.
De acordo com o Jornal de Notícias, os dados do Banco de Portugal mostram que apenas entre 2007 e 2015 os juros dos depósitos a prazo superaram a inflação. Segundo a mesma fonte, fora desse período, os rendimentos obtidos têm sido insuficientes para acompanhar a subida dos preços, originando uma erosão contínua do valor real das poupanças.
Retrato atual das famílias
Em fevereiro, os portugueses tinham mais de 112 mil milhões de euros aplicados em depósitos a prazo, escreve o jornal, um valor que tem vindo a crescer desde 2020. Este aumento está associado à procura por segurança, intensificada durante a pandemia e mantida nos anos seguintes.
Com uma inflação projetada em 2,8% para 2026 e uma taxa média bruta dos novos depósitos em torno de 1,36%, a diferença traduz-se numa perda efetiva de valor. “Em termos reais, sim, os portugueses estão a perder dinheiro”, afirma à mesma publicação Natália Nunes, da DECO, explicando que, mesmo com crescimento do saldo, o valor da poupança diminui se ficar abaixo da inflação.
Impacto no poder de compra
Sérgio Cardoso, da Academia Doutor Finanças, descreve a situação de forma direta: “O dinheiro cresce no extrato, mas compramos menos”. A diferença entre a inflação e os juros pagos representa uma redução concreta do poder de compra das famílias. Especialistas alertam que os depósitos a prazo continuam a ser úteis para objetivos de curto prazo, mas apresentam limitações quando utilizados como solução única. Sérgio Cardoso sublinha que “não podem ser o plano para tudo”, destacando o custo de oportunidade associado a horizontes mais longos.
Entre as alternativas, os Certificados de Aforro surgem como opção conservadora, com a Série F a oferecer uma taxa superior à média dos depósitos, acrescenta a publicação. Ainda assim, refere o Jornal de Notícias, mesmo estas soluções podem não eliminar totalmente o impacto da inflação, mantendo o desafio para os aforradores.
Um equilíbrio difícil
No segmento de maior risco, João Cruz, da XTB, aponta para instrumentos, como ações, ETFs ou obrigações, que podem integrar carteiras diversificadas. A mesma fonte destaca que a escolha depende sempre do perfil de risco, uma vez que estes ativos podem implicar perdas de capital.
A DECO alerta para a necessidade de analisar cuidadosamente as condições dos produtos financeiros, incluindo taxas promocionais e cláusulas específicas. Com os preços a subir mais rapidamente do que os juros, o dinheiro mantém-se nas contas, mas perde valor real de forma contínua.
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