A cidade de Rio Maior tem um dos fenómenos naturais mais invulgares de Portugal e continua a atrair visitantes por causa de umas salinas de interior onde a água chega a ser sete vezes mais salgada do que a do mar. A cerca de 80 quilómetros de Lisboa, este local mantém viva uma tradição secular ligada à extração de sal e tornou-se num dos principais cartões-de-visita da região.
De acordo com o blog de viagens Vaga Mundos, as Salinas de Rio Maior são as únicas salinas de interior existentes em Portugal e estão inseridas no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. Apesar de a cidade ficar a cerca de 30 quilómetros do oceano, é ali que nasce uma salmoura com uma concentração de sal muito acima da água do mar.
O fenómeno acontece no chamado Poço das Marinhas do Sal, de onde brota água extremamente salgada que alimenta toda a exploração. Segundo a mesma fonte, esta característica permite a cristalização natural do sal e continua a surpreender muitos visitantes que chegam à região sem imaginar encontrar um cenário deste género tão longe da costa.
O “ouro branco” que atravessou séculos
A exploração destas salinas está documentada desde 1177, em registos atribuídos à Ordem de Santiago. Escreve o blog que, durante vários séculos, o sal extraído em Rio Maior teve um papel importante na economia local e foi utilizado como produto estratégico e moeda de troca.
Conforme a mesma fonte, a tradição salineira foi sendo passada entre gerações e acabou por moldar a identidade do concelho. Ainda hoje, as estruturas tradicionais mantêm-se visíveis e ajudam a preservar uma imagem muito ligada à história da região.
Casas de madeira que ganharam nova vida
Um dos elementos mais característicos das salinas são as pequenas casas de madeira espalhadas junto aos talhos de sal. Inicialmente, estes espaços funcionavam como armazéns utilizados pelas famílias salineiras para guardar a produção recolhida ao longo da época.
Hoje, muitas dessas construções têm funções diferentes. Importa salientar que muitas destas casas foram transformadas em lojas de artesanato, pequenos cafés e restaurantes, ajudando a tornar a zona mais atrativa para quem visita Rio Maior durante todo o ano.
Altura ideal para visitar as salinas
Quem quiser observar o processo de formação do sal deverá escolher os meses mais quentes. Segundo a mesma fonte, o período entre maio e outubro é considerado o mais indicado para ver os tanques cheios de salmoura e acompanhar a cristalização natural do sal.
Durante esta fase, é possível perceber melhor como funciona toda a atividade ligada à recolha do chamado “ouro branco”. Acrescenta o blog de viagens que esta continua a ser uma das experiências mais procuradas pelos visitantes que passam pelo concelho.
Muito mais do que apenas sal
Além das salinas, Rio Maior reúne vários pontos de interesse histórico e cultural. De acordo com a mesma fonte, a Villa Romana é um dos locais mais emblemáticos da cidade, destacando-se pelos mosaicos, colunas e objetos arqueológicos ligados à presença romana na região.
A cidade inclui ainda espaços, como o Parque do Rio, a Praça do Comércio e a Casa Senhorial d’El Rei D. Miguel, atualmente transformada em espaço cultural. Estes locais ajudam a mostrar diferentes fases da história de Rio Maior e complementam a visita às salinas.
Entre património e natureza
A Igreja da Misericórdia é outro dos edifícios destacados no roteiro da cidade, sobretudo pelos azulejos do século XVII e pelos altares em pedra lavrada. Também a Capela de Nossa Senhora da Vitória continua a ser um dos pontos históricos mais conhecidos do concelho.
Já o Parque 25 de Abril surge como uma das zonas verdes mais procuradas para passeios e momentos de descanso. No conjunto, Rio Maior mantém uma combinação entre património, tradição e natureza que continua a despertar curiosidade junto de quem procura destinos diferentes perto de Lisboa.
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