Uma nova lista internacional voltou a destacar Portugal entre os destinos mais promissores da Europa. Mas, desta vez, nem Lisboa nem Porto foram incluídas. Os critérios focaram-se em valores, como autenticidade, acessibilidade e oferta cultural fora dos circuitos habituais. A cidade portuguesa que se destacou pode surpreender.
Trata-se de Tomar, no distrito de Santarém, centro de Portugal, que conquistou o primeiro lugar no Índice Europeu de Tesouros Escondidos, divulgado pela plataforma de viagens HomeToGo. Segundo a mesma fonte, a cidade obteve uma pontuação global de 61,64, à frente de Brisighella, em Itália, e de Nafplio, na Grécia.
Critérios objetivos com resultados inesperados
De acordo com a HomeToGo, a seleção teve por base variáveis como a popularidade crescente nas pesquisas, o preço médio do alojamento, a qualidade da gastronomia local, o clima e o afastamento dos roteiros turísticos tradicionais. Tomar destacou-se particularmente como “estrela emergente”, obtendo a nota máxima nesta categoria.
A publicação refere ainda que a cidade registou 9,43 na classificação “fora dos roteiros habituais” e 9,32 no que respeita ao clima. Os custos médios de estadia mereceram 9,13 pontos, enquanto a gastronomia alcançou 8,77.
Uma história escrita em pedra
Fundada em 1160 por Gualdim Pais, mestre da Ordem dos Templários em Portugal, Tomar teve origem como bastião defensivo e centro de gestão administrativa da ordem.
Conforme sublinha a NiT, esse passado ainda hoje se reflete no património local. O Convento de Cristo e o Castelo de Tomar são os principais exemplos desse legado.
Em 1983, o Convento foi classificado como Património Mundial da UNESCO. Segundo o blog Vaga Mundos, o edifício agrega elementos arquitetónicos que percorrem séculos e estilos, do Românico ao Barroco, revelando camadas de história e simbologia templária. Entre os destaques está a Janela do Capítulo, considerada a mais emblemática expressão do estilo Manuelino.
Mais do que monumentos
Ainda de acordo com o blog de viagens, o Convento integra vários claustros, a antiga cozinha e o refeitório, bem como a cisterna do Claustro dos Corvos, aberta ao público recentemente. A visita inclui também o Castelo de Tomar, com as suas muralhas e torre de menagem, e a Porta da Almedina, com vista para a antiga zona residencial da fortificação.
A cidade é conhecida por ser organizada em forma de cruz, o que reforça o seu simbolismo templário. Segundo a mesma fonte, há ainda referências curiosas, como o baixo-relevo de um touro sob o nicho de Santa Iria, padroeira local.
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Outras cidades portuguesas na lista
Embora tenha liderado o ranking, Tomar não foi o único destino português presente. Vila Franca do Campo, nos Açores, surge na 11.ª posição com uma pontuação de 55,01, enquanto a Península de Troia aparece no 37.º lugar, com 49,61 pontos.
Este tipo de distinções pode contribuir para um maior fluxo turístico. No entanto, os critérios aplicados visam promover um turismo mais consciente, que valorize a autenticidade das comunidades locais.
Sabores e tradições
A experiência em Tomar não se resume à arquitetura. A gastronomia tradicional inclui especialidades, como as Fatias de Tomar e os doces Beija-me Depressa, bastante procurados por quem visita a cidade. A cada quatro anos realiza-se a Festa dos Tabuleiros, uma celebração com raízes medievais que atrai milhares de visitantes. A próxima edição está marcada para 2023.
Roteiros além do centro
Nos arredores é possível explorar locais, como o Castelo de Almourol ou o Aqueduto dos Pegões Altos, sugeridos pelo blog Vaga Mundos. A Mata Nacional dos Sete Montes oferece percursos pedestres no coração da cidade, e a antiga judiaria preserva traços históricos do convívio entre comunidades.
Já em 2018, a revista norte-americana Reader’s Digest havia incluído Tomar entre as cidades mais “subestimadas” do mundo. A repetida presença em listas internacionais sugere que o potencial turístico da cidade continua por explorar.
Uma estrela que começa a brilhar
A visibilidade conquistada por Tomar poderá alterar o seu estatuto de “tesouro escondido”. No entanto, os responsáveis pela elaboração do índice parecem apostar numa abordagem que equilibra crescimento e preservação.
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