Mudar de país envolve mais do que fazer malas ou procurar casa. Há hábitos, expressões e formas de estar que não vêm nos guias nem nos blogs de viagens. Para quem decide viver em Portugal, alguns erros repetem-se e não são apenas gramaticais.
É o caso relatado por Alexandra Victoria Bonte, uma residente estrangeira no país, que partilhou num vídeo os principais equívocos cometidos por quem chega de fora. De acordo com a GB News, a autora destacou quatro ideias erradas que muitos têm sobre Portugal e que convém evitar.
Dizer ‘obrigado’ pode estar certo, mas também pode estar errado
A primeira questão prende-se com a língua. Segundo a mesma fonte, muitos falantes de inglês acreditam que “obrigado” serve universalmente como forma de agradecimento. No entanto, a palavra varia consoante o género de quem a pronuncia: “obrigado” para homens, “obrigada” para mulheres.
Este detalhe pode parecer insignificante, mas é um dos primeiros sinais de que o português europeu tem regras específicas que não devem ser ignoradas. Segundo a mesma fonte, assumir que basta decorar algumas expressões pode levar a mal-entendidos.
Para além disso, como forma de agradecimento, muitos dos que estão há pouco tempo em Portugal utilizam o termo ‘gracias’, que se encontra incorreto na língua portuguesa.
Não se come só bacalhau
A gastronomia portuguesa é outro terreno onde surgem suposições erradas. Escreve a GB News que alguns estrangeiros chegam a acreditar que a cozinha local gira apenas em torno do bacalhau. Alexandra Victoria Bonte sublinha que, embora este peixe seja muito consumido, há uma diversidade significativa de pratos de mar e terra, incluindo marisco fresco, carne de porco e enchidos regionais.
De acordo com a mesma fonte, reduzir a gastronomia nacional a um só ingrediente é ignorar a riqueza das receitas locais.
Há praia, mas nem sempre são o que parecem
Portugal é conhecido pelas suas praias, sobretudo no Algarve. No entanto, nem todas correspondem à imagem de águas mornas e calmas que alguns visitantes esperam. A publicação explica que o oceano Atlântico, embora de uma beleza reconhecida, é notoriamente frio.
De acordo com a GB News, muitos expatriados depararam-se com esta surpresa ao darem o primeiro mergulho. Apesar do sol e da areia dourada, a temperatura da água raramente se aproxima daquilo que se encontra em destinos tropicais.
Espanha fica ‘ali ao lado’, mas não é igual a Portugal
O último equívoco é também um dos mais comuns: pensar que Portugal e Espanha são essencialmente iguais. Embora partilhem a Península Ibérica, as duas nações têm línguas, culturas e histórias distintas.
Refere a mesma fonte que muitos turistas e recém-chegados tratam as duas culturas como equivalentes, o que pode ser mal recebido pelos portugueses. Alexandra Victoria Bonte descreveu esta confusão como “um grande erro”.
Entre tradição e identidade
Portugal tem um conjunto de tradições que reforçam esta diferença cultural. O site Vortex Mag destaca manifestações, como o fado, reconhecido pela UNESCO como Património Cultural e Imaterial da Humanidade desde 2011. Criado em Lisboa, este estilo musical reflete sentimentos e histórias do povo português.
Outro exemplo é a azulejaria. Conforme a mesma fonte, os azulejos azuis decoram paredes, igrejas, estações de comboio e fachadas de casas por todo o país. Esta arte visual tem séculos de história e continua a inspirar designers e artistas.
A filigrana, sobretudo presente no norte do país, é uma técnica de joalharia tradicional feita com fios finíssimos de metal. Explica a Vortex Mag que estas peças são frequentemente usadas em trajes regionais e cerimónias e constituem um símbolo da identidade cultural portuguesa.
Preservar o que diferencia
Estas expressões culturais e sociais ajudam a distinguir Portugal, tanto de Espanha como de outros países europeus. Saber apreciá-las e compreendê-las é essencial para quem pretende integrar-se e viver em harmonia com os hábitos locais.
Evitar generalizações, respeitar as particularidades linguísticas e conhecer as tradições são passos fundamentais para ultrapassar os obstáculos iniciais.
A experiência de viver em Portugal torna-se mais rica quando acompanhada de uma vontade genuína de aprender. Pequenos gestos, como usar o termo certo ou reconhecer um prato típico, fazem a diferença no dia a dia.
Sublinha ainda a GB News que, no final, mais do que evitar erros, trata-se de cultivar respeito por uma cultura própria. Uma cultura feita de palavras, sabores, paisagens e símbolos que, embora partilhados com o mundo, continuam profundamente portugueses.
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