O super-iate Andromeda encontra-se atualmente fundeado ao largo do Funchal, em frente ao Lazareto, chamando a atenção pela dimensão e pelo historial pouco comum do seu proprietário. A chegada ao mar português colocou em evidência uma embarcação avaliada em mais de 200 milhões de euros, associada a um dos nomes mais discretos do mundo empresarial.
Com mais de uma centena de metros de comprimento, o Andromeda integra o grupo restrito de iates concebidos para grandes travessias oceânicas, combinando autonomia elevada com soluções técnicas pensadas para longos períodos em mar aberto. De acordo com o Diário de Notícias, trata-se de um navio preparado para percorrer até 8.500 milhas náuticas sem necessidade de reabastecimento.
Projeto pensado para atravessar oceanos
O iate foi construído na Noruega pelo estaleiro Kleven, reconhecido por projetos de grande porte vocacionados para navegação exigente. Segundo a mesma fonte, a embarcação foi lançada ao mar em 2015 e concluída no ano seguinte, tendo sido inicialmente encomendada pelo empresário neozelandês Graeme Hart.
Nessa fase, o navio tinha outro nome e outro perfil de utilização, ainda que já incorporasse soluções técnicas orientadas para viagens de longa duração. Escreve o jornal que a robustez estrutural foi um dos elementos centrais do projeto desde a sua conceção.
Mudança de mãos e de identidade
Em 2017, o iate foi vendido e passou a chamar-se Andromeda, entrando na esfera de Yuri Milner, empresário ligado ao setor tecnológico. De salientar que Milner é fundador da Digital Sky Technologies e esteve envolvido em iniciativas científicas internacionais, incluindo colaborações com o físico Stephen Hawking.
A mudança de proprietário coincidiu com um novo posicionamento público do empresário, sobretudo a partir de 2022. Acrescenta a publicação que Milner se opôs publicamente à invasão da Ucrânia pela Rússia, decisão que viria a ter reflexos na sua situação pessoal e jurídica.
A decisão de renunciar à cidadania russa
Num contexto de forte exposição internacional, Yuri Milner anunciou a renúncia à nacionalidade russa. Refere a mesma fonte que o empresário revelou ter deixado a Rússia em 2014, após a anexação da Crimeia, concluindo posteriormente o processo formal de abandono da cidadania.
Essa posição foi tornada pública através das redes sociais, onde explicou que a decisão envolveu toda a família. Segundo o jornal, este percurso pessoal ajuda a compreender a forma discreta como o empresário gere atualmente os seus ativos mais visíveis.
Vida a bordo em números concretos
Voltando ao iata, saiba que o Andromeda está preparado para receber até 30 pessoas, distribuídas por 15 suítes, incluindo quatro cabines VIP. A tripulação permanente é composta por 22 elementos, assegurando o funcionamento contínuo da embarcação.
Entre as infraestruturas disponíveis encontram-se piscina, cinema, ginásio, salão de beleza e um wine bar. Conforme a mesma fonte, o iate dispõe ainda de uma plataforma de aterragem para helicópteros dos modelos EC 145 ou Bell 429.
Quanto vale manter um gigante destes no mar
O valor estimado do Andromeda ronda os 213 milhões de euros, a que acrescem custos operacionais anuais na ordem dos 21 milhões. Segundo o Diário de Notícias, estes encargos incluem manutenção, tripulação, combustível e logística associada a operações de longa distância.
A presença do iate no Funchal insere-se num contexto de crescente visibilidade da Madeira como ponto de passagem de grandes embarcações privadas. A chegada do Andromeda reforça essa tendência, colocando novamente a região no radar da navegação de luxo internacional.















