O Governo aconselhou os cidadãos portugueses a adiar deslocações não indispensáveis a Cuba até que a “situação estabilize”, apontando imprevisibilidade e possibilidade de agravamento das condições no país, com impactos em serviços essenciais e no setor do turismo.
A recomendação foi divulgada através do portal das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros, numa nota que reforça que estes conselhos não têm natureza vinculativa, funcionando como indicações para apoiar decisões de viagem.
Na mesma nota, o Executivo sublinha que nem o Estado português nem as representações diplomáticas e consulares podem ser responsabilizadas por danos ou prejuízos em pessoas ou bens, decorrentes de deslocações feitas apesar dos avisos.
Combustível, energia e serviços essenciais sob pressão
Entre os fatores destacados pelo Governo está a escassez de combustível, descrita como um problema que se tem vindo a agravar no país desde o início do ano. Segundo a informação divulgada, as autoridades cubanas anunciaram medidas de emergência, por tempo indeterminado, para reduzir o consumo energético e de combustível.
Estas medidas, é referido, abrangem vários setores e podem afetar diretamente áreas relevantes para viajantes, como transportes, comunicações, comércio e restauração, além de serviços de saúde.
O Governo alerta ainda para a possibilidade de encerramento temporário de algumas unidades hoteleiras e para disrupções em voos, deslocações, excursões e atividades recreativas, com impacto prático na experiência turística e na mobilidade no terreno.
Cortes de eletricidade e limitações no quotidiano
Outro ponto salientado é a fragilidade do sistema de produção e distribuição de energia, com cortes de eletricidade descritos como frequentes. É ainda lembrado que, desde 18 de outubro de 2024, têm ocorrido ocasionalmente quebras do sistema elétrico a nível nacional, afetando o país em simultâneo durante vários dias.
Essas falhas, segundo o aviso, podem ter consequências em cadeia no abastecimento de água, gás e acesso a combustível, com reflexos em hotéis, restaurantes e também em unidades hospitalares.
O alerta procura, assim, preparar os viajantes para um cenário em que a normalidade de serviços pode variar de forma abrupta, sem previsibilidade clara, dificultando o planeamento de rotas, reservas e deslocações internas.
Riscos de saúde e recomendações para viajantes
O Governo chama também a atenção para a situação epidemiológica no país, mencionando surtos de vírus transmissíveis por mosquitos, como chikungunya e dengue, e de outros vírus transmissíveis por vias diferentes, como hepatite A.
Neste contexto, é sublinhada a importância de realizar a Consulta do Viajante antes da deslocação, de forma a avaliar riscos, atualizar vacinas quando aplicável e receber aconselhamento adequado ao perfil de cada pessoa.
Para quem decide avançar com a viagem, a orientação é manter-se informado através de fontes oficiais e junto de operadores turísticos e companhias aéreas, acompanhando alterações que possam surgir com pouca antecedência.
Dinheiro, medicamentos e compras: o que pode falhar
O aviso refere ainda limitações no abastecimento e no consumo: estabelecimentos comerciais menos numerosos e com variedade de produtos mais limitada do que em Portugal, o que pode ter impacto na compra de bens essenciais.
Um dos pontos mais sensíveis é a disponibilidade de medicamentos, descrita como extremamente escassa em todo o país, algo particularmente relevante para quem depende de medicação regular.
Acresce a dificuldade no levantamento de dinheiro em caixas multibanco, apontada como limitada, o que pode complicar pagamentos, deslocações e até necessidades básicas, sobretudo em zonas com menos alternativas.
Viagens marcadas e acompanhamento político
O tema tem sido acompanhado também no espaço público. O ministro Paulo Rangel afirmou que o Governo acompanha a situação “com atenção e preocupação”, mantendo trabalho em curso sobre o assunto.
Em paralelo, a Associação Nacional de Agências de Viagens indicou que passageiros com viagens marcadas até ao início de abril têm sido aconselhados a ponderar a mudança de destino, num sinal de que o setor está a antecipar constrangimentos operacionais.
A recomendação central mantém-se: perante a imprevisibilidade, o Executivo sugere o adiamento de deslocações não indispensáveis até existir maior estabilidade.
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