Cristiano Ronaldo decidiu não alinhar pelo Al Nassr no jogo frente ao Al-Riyadh, a contar para a 20.ª jornada da Liga saudita, num gesto que não está relacionado com qualquer problema físico nem com opções técnicas da equipa. A decisão do internacional português abriu espaço a uma leitura mais ampla sobre o momento vivido pelo clube.
A ausência do capitão ocorre numa fase em que o Al Nassr atravessa um período de redefinição interna. De acordo com o jornal desportivo A Bola, o avançado mostra-se profundamente descontente com a forma como o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF) tem conduzido a gestão da sociedade desportiva.
Capitão em desacordo com a estratégia
Segundo a mesma fonte, Cristiano Ronaldo considera que o Al Nassr tem sido prejudicado por um desinvestimento progressivo, sobretudo quando comparado com outros clubes controlados pelo mesmo fundo estatal. Este entendimento ganhou força após o mercado de inverno, período em que o clube reforçou o plantel de forma limitada, situação que foi interpretada como um sinal de perda de ambição competitiva.
A publicação refere que o único reforço assegurado foi Haydeer Abdulkareem, médio de 21 anos recrutado no futebol iraquiano, não correspondendo às necessidades identificadas pela equipa técnica. Em paralelo, escreve o jornal, clubes rivais, como o Al Hilal, avançaram com investimentos elevados, criando um contraste evidente na política desportiva seguida dentro da mesma estrutura de governação.
Desigualdade já assumida publicamente
Este desequilíbrio tinha sido anteriormente assumido pelo próprio treinador. Conforme a mesma fonte, em janeiro, Jorge Jesus afirmou que o Al Nassr “não tem o poder político do Al Hilal”, declaração que teve forte repercussão no futebol saudita.
As palavras do técnico português foram interpretadas como uma crítica direta ao modelo de decisão vigente, provocando reações institucionais e pedidos formais de sanção.
Estrutura diretiva limitada
A instabilidade interna agravou-se com a decisão do Conselho Diretivo de congelar os poderes da administração do clube. A Bola explica que a medida afetou Simão Coutinho, diretor desportivo, e José Semedo, CEO, ambos portugueses.
Este bloqueio reduziu a capacidade de intervenção da estrutura executiva e reforçou a percepção de falta de autonomia na definição do projeto desportivo.
Gesto que vai além do jogo
É neste enquadramento que surge a recusa de Cristiano Ronaldo em jogar. O avançado não aceitou alinhar como forma de protesto contra uma gestão que considera prejudicial para o Al Nassr. A decisão não está relacionada com o jogo seguinte frente ao Al Ittihad, nem com qualquer plano de rotação, mas representa um sinal claro de ruptura entre o capitão e a atual condução do clube.















