Fora das rotas habituais de turismo, duas ilhas sem habitantes continuam a despertar interesse, não pelas comodidades, mas pelas suas características geológicas, históricas e ambientais. Apesar da sua proximidade ao continente europeu, estes fragmentos de terra permanecem intocados, rodeados por mar e mistério.
Situados ao largo da costa sul da ilha Terceira, nos Açores, os Ilhéus das Cabras formam o maior conjunto de ilhéus do arquipélago. De salientar que se dá o nome de ilhéu a uma ilha de pequena dimensão. Compostos pelo Ilhéu Grande e pelo Ilhéu Pequeno, atingem 147 e 84 metros de altitude, respetivamente. A sua origem está ligada a episódios de intensa atividade vulcânica e a posteriores transformações naturais.
Do pasto ao abandono
De acordo com o site Vaga Mundos, o nome Ilhéus das Cabras remonta a um período em que o local era utilizado para o pastoreio de ovelhas e cabras. A vegetação escassa pouco oferecia em termos de alimento, mas, durante décadas, os animais foram ali mantidos para a produção de lã, exportada sobretudo para a ilha de São Jorge, onde se produziam mantas de forma tradicional.
Segundo a mesma fonte, atualmente não é permitido atracar ou caminhar sobre os ilhéus. Esta restrição visa proteger a área, que integra a Zona de Proteção Especial dos Ilhéus das Cabras, com uma extensão de 29 hectares. O acesso é apenas possível por mar e sob condições específicas.
Memória de um sismo e ecos de guerra
A história dos ilhéus também se cruzou com eventos marcantes. Em 1980, um sismo que atingiu Angra do Heroísmo provocou o desmoronamento parcial do Ilhéu Pequeno. A sua forma foi alterada de forma permanente. Escreve o site Picos de Aventura que há relatos de que, durante a Segunda Guerra Mundial, um submarino alemão terá procurado refúgio entre os dois ilhéus, aproveitando as profundezas das águas locais.
Refere a mesma fonte que os ilhéus são vestígios geológicos de erupções submarinas, em que a lava basáltica contactou com água do mar, dando origem a cones costeiros. Estes, por sua vez, foram moldados pela erosão e pela atividade sísmica da região.
Refúgio de aves marinhas
A importância ecológica da zona não se limita à sua formação geológica. Explica o Vaga Mundos que os ilhéus funcionam como local de nidificação de várias espécies protegidas de aves marinhas. Entre estas destacam-se os cagarros, os garajaus-rosados, os garajaus-comuns, as garças cinzentas e diversas espécies de gaivotas.
Acrescenta a publicação que a área marítima circundante é igualmente rica em biodiversidade. Raias-águia, botos e até tartarugas marinhas podem ser avistados nas grutas submersas que circundam os ilhéus. Estas condições tornam o local num dos pontos mais procurados por operadores de turismo de natureza.
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Acesso condicionado mas possível
Segundo o site Azores Adventures Futurismo, a melhor forma de visitar os ilhéus é através de um passeio de barco a partir do Porto de Angra do Heroísmo, situado a cerca de 10 quilómetros. A viagem demora aproximadamente 15 minutos e oferece vistas panorâmicas sobre a costa sul da Terceira e sobre as duas formações rochosas. No entanto, note que não é possível desembarcar nestas ilhas, sendo que apenas poderá observá-las de perto a partir do barco.
Sublinha a mesma fonte que as visitas são condicionadas e os passeios devem ser marcados com antecedência, dado o estatuto de área protegida. O embarque realiza-se geralmente junto à freguesia da Feteira, sendo acessível por carro, mota, táxi ou bicicleta.
Do mar ao miradouro
Para quem prefere manter os pés em terra, o Miradouro da Cruz do Canário oferece uma das melhores perspetivas sobre os ilhéus. De acordo com o site Picos de Aventura, este ponto de observação permite compreender melhor a sua dimensão e o enquadramento paisagístico.
Conforme a mesma fonte, os ilhéus surgem na baía de Morgado como dois blocos escarpados, separados por pouco mais de 70 metros. A sua aparência robusta e próxima inspira a designação de “gémeos”, ainda que se tratem de formações distintas.
Ecos literários e proteção permanente
O valor simbólico dos ilhéus também foi reconhecido pela literatura. Vitorino Nemésio, natural da Terceira, referiu-se a estes como “a estátua da nossa solidão”, numa alusão ao seu isolamento no mar e à carga emocional que representam para os habitantes locais.
Sabe-se ainda que os Ilhéus das Cabras são uma das paisagens mais fotografadas da Terceira. A sua inclusão na Rede Natura 2000 e na lista de áreas com acesso controlado sublinha a necessidade de preservar tanto os habitats como a memória coletiva que representam.
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