O setor da restauração em Portugal está sob pressão devido ao aumento dos custos e à necessidade de medidas que garantam a sustentabilidade dos negócios, tema que ganhou destaque após declarações do chef Rui Paula. De acordo com o Correio da Manhã, os encargos com matérias-primas, energia e salários têm vindo a subir, criando dificuldades acrescidas para muitas empresas do setor.
Segundo a mesma fonte, os preços de vários produtos essenciais registaram aumentos expressivos nos últimos anos, sem que isso se tenha refletido totalmente nos preços praticados ao consumidor.
Alerta lançado por Rui Paula
O chef Rui Paula trouxe o tema para o debate público ao apontar a necessidade de mudanças estruturais. “Não pode continuar assim”, afirmou o chef, referindo-se ao impacto dos custos no funcionamento dos restaurantes. “Queremos mexidas estruturais, a descida do IVA das refeições de 13 para 10%, como em Espanha, e do IVA dos vinhos de 23% para 13%, como nos supermercados”, remata.
A restauração apresenta realidades distintas consoante o tipo de estabelecimento. Conforme a mesma fonte, restaurantes independentes enfrentam desafios diferentes dos que integram cadeias ou grandes grupos. Essa diversidade torna mais complexa a definição de políticas uniformes que respondam às necessidades de todos.
Posição do Banco de Portugal
O Banco de Portugal tem acompanhado a evolução do setor e reconhece os desafios, mas não aponta para uma crise generalizada. A atividade tem mantido alguma estabilidade. Segundo o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, o crescimento do turismo e do consumo ajudou a sustentar o setor, apesar das dificuldades associadas ao aumento dos custos.
A redução do IVA surge como uma das principais reivindicações, contudo, a medida não está, para já, em cima da mesa. Segundo a mesma fonte, existem países europeus onde a taxa aplicada à restauração é inferior. Acrescenta a publicação que esta comparação tem sido usada como argumento pelos empresários que defendem uma revisão fiscal.
Recuperação com novos desafios
Após o período da pandemia, o setor registou uma recuperação, mas com novos obstáculos. A pressão sobre os custos voltou a intensificar-se. Refere a mesma fonte que indicadores como a rentabilidade têm vindo a ajustar-se a esta nova realidade económica.
Os custos com trabalhadores têm igualmente aumentado. Os encargos salariais registaram subidas relevantes, contribuindo para o agravamento das despesas totais. Escreve o jornal que esta evolução coloca desafios adicionais à gestão financeira dos restaurantes.
Equilíbrio difícil nas contas
Muitos estabelecimentos optam por não aumentar significativamente os preços para evitar perda de clientes. Essa decisão limita a capacidade de absorver os custos. Refere a mesma fonte que este equilíbrio frágil é hoje uma das principais preocupações do setor.
Neste momento, os empresários aguardam decisões políticas que possam aliviar a situação, já que ainda não há medidas concretas anunciadas. Acrescenta a publicação que o tema deverá continuar em debate nos próximos meses.
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