Depois de vários dias marcados por fenómenos pouco expressivos e muito localizados, o estado do tempo em Portugal entra esta semana numa nova fase. Entre 27 de abril e 3 de maio, a atmosfera torna-se progressivamente mais instável, com descida acentuada das temperaturas e condições favoráveis a chuva intensa, trovoadas e, em alguns casos, granizo, sobretudo a meio da semana.
De acordo com o Luso Meteo, site especializado em meteorologia, a mudança resulta da aproximação de uma depressão em altitude, com origem polar, que se desloca a partir de nordeste e interage com diferentes massas de ar nas imediações do território continental. Este contraste cria um cenário propício à convecção, mais abrangente do que o registado nos últimos episódios, e quebra o padrão relativamente estável que marcou grande parte de abril.
Uma semana em dois tempos
Num primeiro momento, o início da semana será marcado por tempo seco e quente. Segunda-feira deverá ainda apresentar características quase estivais em várias regiões, com máximas localmente acima dos 30 graus, sobretudo no interior. Ao longo da tarde, no entanto, aumenta a nebulosidade no Norte, onde surge já a possibilidade de aguaceiros e trovoadas dispersas.
Esta fase inicial funciona, segundo os modelos, como uma transição para um cenário mais instável. A descida da temperatura em altitude e o aumento da humidade criam condições favoráveis para uma mudança rápida do estado do tempo nas jornadas seguintes.
Risco de fenómenos severos a meio da semana
Entre terça e quarta-feira deverá verificar-se o período meteorologicamente mais exigente da semana. As trovoadas tornam-se mais frequentes e menos confinadas ao interior, podendo atingir também zonas do litoral. Em alguns locais, os aguaceiros poderão ser fortes, acompanhados de trovoada intensa, rajadas convectivas e queda de granizo.
Os parâmetros atmosféricos previstos apontam para valores elevados de instabilidade, aumentando o risco de episódios localmente severos, sobretudo no Norte e Centro. Na quarta-feira, apesar de uma ligeira melhoria no litoral e no Sul, a instabilidade deverá persistir no interior, com especial incidência em áreas como Trás os Montes e Beira Interior, onde não se excluem impactos na atividade agrícola.
A partir de quinta-feira, a tendência é de atenuação gradual da instabilidade. O vento de norte poderá tornar-se mais frequente, limitando a subida das temperaturas, mas a precipitação deverá perder expressão e os episódios de trovoada tornam-se menos prováveis.
Fim de semana prolongado sob vigilância
Com a aproximação do feriado e do fim de semana prolongado, a incerteza volta a aumentar. Segundo a mesma fonte, os modelos numéricos apresentam dois cenários distintos: um mais seco e estável, associado ao reforço do anticiclone, e outro que admite alguma instabilidade residual, caso a depressão em altitude consiga aproximar-se mais do território.
Para já, as probabilidades de precipitação mantêm-se relativamente baixas, situando-se entre 10% e 25%, o que favorece, neste momento, um cenário de tempo geralmente seco e ameno entre 1 e 3 de maio. Ainda assim, a evolução atmosférica continuará sob acompanhamento, dada a sensibilidade da configuração sinótica.
Ilhas com comportamentos distintos
Nos arquipélagos, o cenário é menos homogéneo. Nos Açores, a semana deverá ser marcada por sucessivas frentes, períodos frequentes de chuva, vento por vezes moderado e temperaturas abaixo da média para a época. Em altitudes mais elevadas da ilha do Pico, não está excluída a ocorrência de neve.
Na Madeira, pelo contrário, o tempo deverá manter-se geralmente seco e ameno durante a maior parte da semana, com céu pouco nublado e vento fraco. Apenas no final do período aumenta ligeiramente a probabilidade de precipitação, embora, segundo a mesma fonte especializada, qualquer episódio de chuva deverá ser pouco significativo.
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