A circulação na Autoestrada 1, junto a Coimbra, poderá ser retomada nos próximos dias, embora de forma condicionada e apenas numa das plataformas. O tráfego deverá fazer-se em ambos os sentidos numa única via, solução provisória enquanto decorrem as intervenções definitivas no local afetado pelo rebentamento do dique do Mondego.
De acordo com a Lusa, o presidente executivo da Brisa Concessões Rodoviárias, Manuel Melo Ramos, indicou que a circulação poderá ser restabelecida na plataforma Sul Norte assim que as entidades competentes concluam a avaliação técnica e autorizem a reabertura.
Reabertura depende de vistoria técnica
A proposta já foi submetida ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes, com apoio do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, que terão de realizar testes e uma vistoria antes de tomarem uma decisão final. Só após essa validação será possível definir a data concreta para o regresso da circulação, ainda que limitada.
Segundo a mesma fonte, os trabalhos realizados durante o fim de semana permitiram concluir a proteção do aterro e o enrocamento exterior, bem como a estabilização da laje de transição da plataforma onde deverá circular o tráfego provisório. A intervenção mais recente incidiu na reparação do aterro no sentido Norte Sul, fase que inclui posteriormente a pavimentação.
A obra foi adjudicada ao empreiteiro que já se encontrava no terreno, opção justificada pela urgência em restabelecer a ligação rodoviária. A estimativa da concessionária aponta para a conclusão total dos trabalhos até ao final da primeira semana de março, prazo que poderá ser encurtado caso as condições técnicas o permitam.
Solução provisória até reposição integral
A circulação em meia autoestrada implicará constrangimentos, uma vez que os dois sentidos passarão a partilhar a mesma plataforma. Ainda assim, a medida é apresentada como forma de mitigar o impacto do corte total num dos principais eixos rodoviários do país.
Questionado sobre uma eventual indemnização ao Estado por falhas na proteção da infraestrutura, o responsável da concessionária afastou essa hipótese, sublinhando o investimento anual superior a 60 milhões de euros em manutenção e recordando a recente reabilitação dos viadutos sobre o Mondego, intervenção que rondou os cinco milhões de euros.
O custo da atual obra deverá ficar abaixo desse valor, embora ainda sem estimativa final divulgada.
Contexto de um inverno marcado pelo mau tempo
O incidente ocorreu na sequência de um período de condições meteorológicas adversas que provocaram danos significativos em várias regiões. As depressões Kristin, Leonardo e Marta estiveram na origem de vítimas mortais, feridos e desalojados, além de extensos prejuízos em habitações, empresas e infraestruturas.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas, com cortes de energia, interrupções de transportes e encerramento de estradas e escolas. A situação de calamidade que abrangia 68 concelhos terminou a 15 de fevereiro.
Segundo a Lusa, a reposição integral da circulação na A1 em Coimbra permanece dependente da conclusão das intervenções em curso e das avaliações de segurança, sendo a reabertura condicionada apenas uma solução transitória para restabelecer a ligação rodoviária enquanto prosseguem os trabalhos.
Leia também: Homem compra BMW de 3.000€ e paga ‘sinal’ de 900€: vendedor não aparece no dia da entrega do carro
















