Portugal pode ser um país pequeno em tamanho, mas a sua marca no mundo é profunda e duradoura. Ao longo de séculos de história, a presença portuguesa espalhou-se por todos os continentes, deixando traços visíveis na língua, na arquitetura, na religião e, claro, na gastronomia. Em muitos dos territórios outrora colonizados, ainda hoje se sentem ecos dessa herança, com hábitos e tradições que continuam a refletir a influência portuguesa, mesmo passadas várias gerações. Neste artigo, vamos falar-lhe de um doce tradicional português que ‘conquistou’ os asiáticos, em particular Macau.
Afinal, que doce tradicional é este?
O pastel de nata, pois claro. Este doce tradicional é um dos produtos mais saborosos da doçaria portuguesa. Mas fora de Portugal, há um lugar onde este doce ganhou estatuto próprio: Macau. Inspirado no famoso Pastel de Belém, o pastel de nata macaense tornou-se parte do quotidiano local e é hoje consumido por milhares de pessoas todos os dias, refere o blog Nas Bocas do Mundo.
Uma herança que chegou à mesa
Macau esteve sob administração portuguesa durante mais de quatro séculos. Esta ligação deixou marcas na arquitetura, na língua e, sobretudo, na gastronomia. Muitos pratos típicos de Portugal foram sendo adaptados ao gosto local, e o pastel de nata é um dos casos mais emblemáticos dessa fusão.
Apesar de ter origem nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, o pastel de nata atravessou oceanos e chegou à Ásia. Em Macau, foi reinventado com um toque diferente, mas manteve-se fiel à base de massa folhada crocante e recheio de creme de ovos.
A versão macaense
O pastel de nata de Macau distingue-se pela cobertura mais escura e caramelizada. Esta versão popularizou-se nos anos 90, sobretudo através da pastelaria Lord Stow’s Bakery, fundada por Andrew Stow. O britânico residente em Macau inspirou-se no pastel português, adaptando a receita ao gosto asiático.
O resultado foi um doce menos doce, com topo queimado, que se tornou um sucesso imediato. A textura cremosa e o sabor suave conquistaram não só os residentes como também os visitantes chineses e estrangeiros.
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Presença diária nas pastelarias
Hoje, o pastel de nata é vendido em praticamente todas as pastelarias de Macau, refere a mesma fonte. O famoso doce tradicional português também pode ser encontrado em cafés, padarias de centros comerciais e até em cadeias internacionais como a KFC.
O consumo é diário e não está associado a nenhuma ocasião específica.
É habitual ser servido ao pequeno-almoço, como sobremesa ou durante o lanche. A sua versatilidade e sabor tornaram-no um elemento fixo na alimentação local, muito para além da comunidade portuguesa.
Macau continua a ‘saborear’ Portugal
Apesar de Macau ter passado para administração chinesa em 1999, a ligação cultural a Portugal mantém-se viva. Estima-se que residam atualmente entre 1.000 a 1.200 portugueses com estatuto legal no território, número que pode subir para 4.000 ou 5.000 se forem considerados os luso-descendentes.
O pastel de nata é uma das marcas mais visíveis dessa presença. Mais do que um doce, tornou-se símbolo de uma identidade partilhada entre culturas que coabitam num espaço único.
Inspiração no Pastel de Belém
O Pastel de Belém, fabricado desde 1837 em Lisboa, continua a ser a referência original. A receita, mantida em segredo, é considerada única. No entanto, a sua essência serviu de base para a versão macaense, que adaptou técnicas e sabores sem perder o espírito do doce conventual.
O topo queimado do pastel de Macau diferencia-o visualmente, mas o interior mantém a cremosidade e o aroma que o tornaram famoso em Portugal. A inspiração é evidente, mesmo que o resultado final seja ligeiramente diferente.
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